Moreno: Uma história de assombração

Diz um grande especialista no assunto, Roberto Beltrão, que – com certeza – o Recife é a cidade mais mal assombrada do Brasil. É que são tantas as histórias de almas penadas e fantasmas que elas mexem, sempre, com o imaginário da população. E o repertório é tão vasto, que o sociólogo Gilberto Freyre decidiu dedicar um livro ao assunto: Assombrações do Recife Velho.

De outras vezes, a ficção vira quase uma realidade. É o caso do clássico A Emparedada da Rua Nova, de Carneiro Vilela. Escrito no século 19, o romance virou lenda, pois há quem acredite ver a alma da mocinha desonrada pelo namorado, que foi emparedada ainda viva, no sobrado onde a família residia, naquela que era a rua mais sofisticada do bairro de Santo Antônio. Tudo para abafar a gravidez da herdeira, que constituía um escândalo para os padrões da época.

No Recife, as assombrações são até tema de roteiros turísticos não só de grupos privados, como também do Projeto Olha! Recife, que é oficial. Os passeios pararam durante a pandemia, e os roteiros mal assombrados ainda não foram retomados. Mas ninguém perde por esperar. Pois, pelo visto, as assombrações não se restringem ao imaginário da capital.No final de semana, fui fazer uma caminhada no Engenho Una, com o Grupo Andarapé.  E adivinhem o que a gente achou… Mais uma história de assombração, só que em Moreno, município localizado a 28 quilômetros do Recife, de onde fotografei vários chalés, tipo de construção que, não sei por qual motivo, me chama sempre a atenção. Talvez porque estejam sumindo da paisagem.

Pois no destino final da caminhada por terras do engenho, eis que me defronto com um chalé antigo, que funcionou como a casa grande da propriedade, anteriormente ocupada por produção de cana-de-açúcar. E  o chalé, que pertenceu à família Maranhão, tinha uma divertida  história de assombração.  Os moradores antigos do engenho informaram que “ninguém tem coragem” de pernoitar no imóvel, porque à noite acontecem barulhos esquisitos, de correntes, de ferragens, até vozes. Correntes que provavelmente rangiam no tempo dos escravizados, como era comum nas senzalas dos tempos de colônia.

Há, também, quem nem passe na frente do chalé, ao anoitecer. Os moradores dizem que sempre aparece um menino gordo correndo, que espanta os moradores. O menino seria o fantasma de uma criança que morreu,  aos nove anos, ao cair na cacimba que fica nos fundos da casa. Também relatam que uma mulher aparece na janela, gritando: “Vem pegar a botija”. Até agora, ninguém cavou o chão em busca do tesouro, como era comum antigamente. A mulher que aparece na janela seria a alma de uma que ali viveu no no século passado. Também ninguém sabe se o tesouro existe mesmo. Ou seja, fantasma, não é só no Recife. Em Moreno, também, o que não falta é imaginação. Ou assombração…

Vejam, nas fotos abaixo, imagens de alguns chalés encontrados no caminho entre a área urbana e a rural de Moreno, na Região Metropolitana do Recife.

Nos links abaixo, você confere mais informações sobre assombrações no Recife,  chalés e sobre o Grupo Andarapé Trilhas

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Texto e fotos:  Letícia Lins / #OxeRecife

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