Dia da Amazônia: Comemorar o quê? Parem de derrubar árvores!

No Dia da Amazônia, infelizmente o Brasil e o mundo não têm o que comemorar. Só em agosto, tivemos o registro de 28.060 focos de incêndio, na maior floresta tropical do Planeta. Os números são do sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e constituem um exemplo do descalabro em que se transformou a condução da política ambiental no País.

“É o terceiro maior índice para o mês de agosto desde 2010, perdendo apenas para 2019 e 2020, sendo que todos esses anos foram marcados pelo governo Bolsonaro e sua política anti-ambiental”, analisa o Greenpeace, uma das mais atuantes organizações ambientais do mundo. Embora considerado o pulmão da terra, a Amazônia padece com o excesso de desmatamento. A ação predatória e ilegal  da motosserra insana termina por facilitar a disseminação de incêndios.

Apesar de toda a exuberância, a Floresta Amazônica corre risco, que aumentou no governo Bolsonaro.

Não é segredo para ninguém, que o governo atual promove o desmantelamento da rede de proteção ambiental construída a duras penas no Brasil, facilitando a ação ilegal de madeireiros e grileiros, principalmente no Norte do País. Com a mata destruída, é mais fácil o fogo de espalhar. Com o arboricídio, somem espécies vegetais e animais. Estudo recentemente divulgado pela Nature (com participação de pesquisadores brasileiros) indicou o tamanho do impacto do fogo provocado pela ação humana. Ele já teria atingido 95, 5 por cento das espécies de plantas e animais vertebrados da Amazônia.

De acordo com a publicação científica, entre 2001 e 2019, 190.000 quilômetros quadrados da Amazônia viraram terra seca e cinza. O fogo já afetou 85,2 por cento de espécies de plantas e animais ameaçados. Entre os não ameaçados,  o impacto é menor mas nem por isso menos preocupante: 64 por cento. A exemplo do Greenpeace e outras organizações ambientalistas, os autores do estudo também associam o aumento da destruição da mata a Bolsonaro. “As mudanças implementadas a partir de 2019 mostram um retrocesso gigantesco” na proteção da floresta, de acordo Paulo Brando, um dos autores do artigo da Nature.

Ele é cientista do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia e também da Universidade da Califórnia. O estudo do qual participou mostra inclusive o impacto do fogo em espécies listadas pela IUNC (International Union for Conservation of Nature). Ou seja, que estão ameaçadas. E o estrago não é pequeno não. Já estão prejudicadas 236 espécies de 264 plantas, 83 de 85 aves, 53 de 55 mamíferos, cinco de nove répteis e 95 de 107 anfíbios.

Em percentuais, das espécies ameaçadas já foram impactadas pelo fogo 89 por cento das plantas, 97 por cento das aves, 96 por cento dos mamíferos, 55 por cento dos répteis e 88 por cento dos anfíbios, segundo cálculos do #OxeRecife, com base nos números absolutos divulgados pela pesquisa. Tem coisa pior? O drama é ainda mais grave, quando se sabe – conforme lembra o pesquisador – que “muitas espécies de animais e plantas da Amazônia têm distribuições restritas”. Ou seja, desequilíbrio é o que não falta. Na Floresta Amazônica e, claro, no mundo. E  as consequências da crise climática já podem ser vistas e sentidas, sejam nas enchentes de Nova York; na concentração de chuvas do inverno recifense; ou no risco de apagão, provocado pelos reservatórios quase secos das nossas hidroelétricas.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos:  Letícia Lins e Divulgação / Greenpeace (foto do incêndio)

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