Cientistas advertem: máscara e vacina contra variante Delta

Enquanto Jair Bolsonaro se recusa a usar máscara nas aglomerações, a Academia Pernambucana de Ciências distribuiu nota, pedindo à população que, mesmo que tenha tomado as duas doses vacina contra a Covid-19, não abra mão da proteção tão recomendada pelos cientistas. Principalmente porque temos mais uma variante do coronavírus, a Delta, que pode causar doença sem ou com poucos sintomas, porém com grande transmissibilidade.

Considera, também, “totalmente equivocada” a posição da Subprocuradora Geral da República,  Lindôra Araújo, que rejeitou dois pedidos  para investigar o Presidente, por contrariar o consenso científico mundial sobre o uso da máscara. Os pedidos foram feitos pelo PSOL e PT, pelo fato de Bolsonaro ter promovido aglomerações em vários estados, sem uso da máscara, como ocorreu no Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Norte. Pior, nesse estado, Bozó chegou a retirar a máscara de uma criança que carregava no colo. Os cientistas enfatizam que a necessidade é agora ainda maior, por conta da presença da variante Delta nos rondando o tempo todo. A nota é muito oportuna, pois o Presidente da República – aquele que disse que a Covid-19 era uma “gripezinha” e que chamou de “maricas” quem pegou a doença – manifestou hoje a intenção de acabar com o uso da proteção.

Veja o que dizem os cientistas pernambucanos:

“O uso de máscara é de grande importância durante epidemias causadas por vírus transmitidos por vias respiratórias. Ainda mais no Brasil, onde a vacinação atinge pouco mais de 25 por cento da população com esquema vacinal completo. Com a chegada da variante Delta do coronavírus, altamente transmissível, é provável que tenhamos um aumento no número de casos na próximas semanas, o que torna necessário acelerar a vacinação, manter o uso de máscaras  pela população e o distanciamento entre as pessoas.

A variante Delta causa um percentual de doença assintomática ou com poucos sintomas. Se uma pessoa  está usando uma máscara N95, PFF2 ou máscara cirúrgica e alguém infectado com o vírus da Covid-19 tosse, espirra ou mesmo fala por perto, a máscara impede que gotículas com o vírus alcancem a mucosa de sua boca ou do seu nariz. Essa proteção é essencial durante a pandemia, e já foi provado que junto com a higiene das mãos e a vacinação fazem toda a diferença. Portanto, chamou a atenção de todo o país, o  parecer da subprocuradora do Ministério Público Federal, defendendo uma posição que questiona o uso de máscaras de proteção contra o vírus da Covid-19. Trata-se de uma posição totalmente equivocada, negando as evidências resultantes das experiências realizadas em todo o mundo e publicadas nas mais conceituadas revistas internacionais.

Em artigo  em outubro de 2020, da Revista Nature, o autor alerta: a ciência dá o suporte necessário, mostrando que o uso da máscara salva vidas, e mesmo assim o debate continua. Da mesma forma, pesquisas publicadas neste ano de 2021, pela Revista Lancet, confirmam que o uso de máscaras está diretamente relacionado com a redução  da taxa de transmissão do vírus. Recentemente, uma revisão sistemática de 16 ensaios clínicos publicada em agosto demonstrou  o efeito protetor das máscaras N95, PFF2 e máscaras cirúrgicas. É importante que este efeito protetor seja explicado à população, pois as máscaras de tecido não se mostram eficazes, sobretudo em ambientes fechados.

Cada um deve fazer a sua parte, vacinando-se, higienizando as mãos e usando máscaras. Aos governantes,  cabe  garantir às pessoas o acesso gratuito às máscaras que efetivamente protegem contra a Covid-19 em ambientes fechados, no uso de espaços coletivos como o transporte público, paradas de ônibus e metrô, terminais de integração, entre outros. Essas medidas salvam vidas.

A nota é assinada  pelos cientistas Fátima Militão, Lúcia Melo, Leda Régis, Anderson Gomes e Anísio Brasileiro, representando a Academia Pernambucana de Ciência.

A Secretaria Estadual de Saúde informa que até o momento, o número oficial de pessoas que tiveram Covid-19 em Pernambuco chega a 603.827, sendo 53.075 casos graves e 550.752 casos leves. Nas últimas 24 horas foram notificados 114 novos casos. Também foram confirmadas 10 mortes,elevando-se para 19.306 o total de vidas perdidas para a pandemia.  Hoje Pernambuco recebeu 105.300 doses de vacina Pfizer/BionTech. Até o momento, o estado já recebeu 9.303.760 doses de

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Divulgação / PCR

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