Sem Salles, a “boiada” ainda vai passar?

Os brasileiros só têm a comemorar com a queda do Ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, na verdade o Ministro do Contra Ambiente, ou da Morte Ambiente (como costumávamos chamar, aqui no #OxeRecife) . Um famigerado inimigo  da natureza. Me perdoem o adjetivo, mas poderia usar outro pior. Durante a gestão, ele se comportou como inimigo das florestas, dos índios e até mesmo daqueles que trabalham com seriedade em defesa dos recursos naturais do Brasil, sejam Ongs,  servidores de órgãos como o Ibama e o ICMBio, ou mesmo a Polícia Federal.  Mostrou-se amigo, apoiador e até comparsa de madeireiros e grileiros, atitude que o levou a ser investigado pela Polícia Federal e alvo de inquérito autorizado pelo Supremo Tribunal Federal. Longe do poder, ele não terá mais direito a foro privilegiado.

O Ministro é aquele que, em abril do ano passado, sugeriu aproveitar a  pandemia – quando o noticiário estava concentrado na crise sanitária – para “a boiada passar”. Ou seja, usar a “caneta” para uma série de atos que serviriam para desmantelar toda a política de proteção ambiental do país, conquistadas depois de muitos anos de luta. Um desmonte, aliás, que foi a característica da gestão da tão nefasta figura, cuja simples imagem – em um noticiário de TV – me causava pontadas no estômago. E que nada mais foi do que representar a política para o meio ambiente do Governo Jair Bolsonaro, que tentou no início de sua gestão até acabar com o Ministério do Meio Ambiente, fundindo-o com com o Ministério da Agricultura. Só não o fez porque a gritaria foi geral.

Bolsonaro costuma dizer que os fiscais do Ibama e ICMBio exageram nas multas. Para ele, desenvolvimento tem a ver com a destruição das florestas, com o garimpo em áreas indígenas, entre outas medidas absurdas. Recentemente, ele chegou a dizer que não gosta do ICMBio, o que não é novidade. E segurou o famigerado, enquanto pôde, elogiando a sua atuação em várias ocasiões, mesmo diante de protestos da comunidade internacional contra a “política”  ambiental do governo brasileiro.

Tanto Bozó quando o afilhado questionaram diagnósticos do Impe sobre desmatamentos e queimadas de florestas, incluindo a Amazônica. O Impe é uma instituição internacionalmente respeitada.  Também virou modelo da atual gestão, perseguir servidores públicos que agiram com correção na condução do seu trabalho. O caso mais exemplar dessa política aconteceu com o delegado Alexandre Saraiva, que foi afastado da Superintendência da Polícia Federal no Amazonas, por ter comandando a operação que resultou em apreensão do maior carregamento de madeira ilegal já realizado naquela região.

Ou seja,  200 mil metros cúbicos de toras de árvores criminosamente retiradas da Amazônia.

Entre estas, angelim, maçaranduba, ipê, cumaru. Cerca de 65 mil árvores destruídas, que seriam ilegalmente comercializadas, com documentações falsas e “grotescas”, segundo o policial. Salles esteve na região para “passar a boiada”, como disse o delegado. Ou seja, liberar o material criminoso. Saraiva denunciou o caso ao STF, e o homem da boiada está sendo investigado. Também foi afastado o delegado Franco Perazzoni, que chefiava a Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros da DPF. Foi ele quem comandou a Operação Akuanduba, que fez busca e apreensão no escritório de advocacia de Salles, em São Paulo. São muitas as ações venais, praticadas pelo ex-Ministro, com o aval de Bozó, que com suas declarações contra o trabalho do ICMBio, incentiva  o desmatamento.

Recentemente, Bozó deu declaração o que levou os servidores do órgão a divulgarem um protesto nas redes sociais. Já os golpes cometidos por Salles contra a natureza vão desde a intervenção equivocada no Fundo da Amazônia (oriundo de recursos estrangeiros para financiar mais de cem projetos em defesa da floresta e dos seus povos, e que Salles pretendeu desviar os recursos para legalizar terras de grileiros) até iniciativas que podem prejudicar o Parques Marinhos Nacionais como Abrolhos e Fernando de Noronha.  A atuação de Salles chegou a motivar várias cartas subscritas por todos os ex-Ministros do Meio Ambiente. E também campanhas como #ForaSalles nas redes sociais, onde também são muitas as críticas à política “ambiental” do governo, como vocês podem ver em imagens publicadas nesse post.  Mas, sinceramente, não sabemos se temos o que comemorar com o substituto. Joaquim Álvaro Pereira era o braço direito de Salles. Respondia pela Secretaria da Amazônia e Serviços Ambientais e por mais de 20 anos foi Conselheiro da Sociedade Rural Brasileira.  Ou seja, a boiada continua onde está: no mesmo lugar.

Veja, abaixo, vídeo dos servidores do Ibama, em protesto contra declarações do Presidente Jair Bolsonaro, que em nada ajudam a nossa natureza.

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Texto:  Letícia Lins / #OxeRecife
Imagens, fotomontagens, charge e vídeo retirados das Redes Sociais

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