Verdades e mentiras no Dia da Terra

No Dia Internacional da Terra, infelizmente, o Brasil não tem muito o que comemorar: queimadas, matas devastadas, corte sem controle de árvores na Amazônia, grilagens, ocupação de terras indígenas, desmonte dos órgãos de proteção ambiental, liberação excessiva do uso de agrotóxicos, inclusive os já proibidos em outros países. E, pior, perseguição aos servidores que fazem  a coisa certa. Pelo menos no que diz respeito à tarefa de proteger aquela região que é considerada o pulmão do mundo.

Mas a julgar pelo discurso do Presidente Jair Bolsonaro na Cúpula de Líderes do Clima, hoje de manhã, parece até que a natureza navega em um mar de rosas no Brasil. Ele citou o “fortalecimento dos órgãos ambientais”, a duplicação “de recursos destinado às ações fiscalização” e prometeu “eliminar o desmatamento irregular até 2050” na Amazônia. Agora, como? Passando a “boiada”, como defende o Ministro do Meio Ambiente, (aliás da Morte Ambiente), Ricardo Salles, é que não dá. Baixando portaria, como aconteceu nesta semana, que praticamente impede o trabalho de fiscais do Ibama contra a ação de madeireiros criminosos?

A situação é tão grave, mas tão grave, que 400 servidores do Ibama divulgaram uma carta, nesta semana, onde denunciam que as ações para fiscalizar o desmatamento irregular estão paradas, por conta de novas exigências do Ministério do Meio Ambiente. Aliás, tudo que a gestão Ricardo Salles faz é justamente o contrário do que deveria fazer uma pessoa no seu cargo. No Governo Jair Bolsonaro, o meio ambiente nunca pareceu ser prioridade.  Temos exemplos como a demissão do então presidente do Inpe, por ter denunciado o aumento da devastação na Amazônia, com base em levantamento técnico. O último exemplo aconteceu recentemente, quando Salles foi à região para liberar uma carga de 200 mil metros cúbicos de madeira  – mais de 40 mil toras de árvores – que haviam sido apreendidos em dezembro de 2020.

Ele questionou a ação da Polícia Federal, e disse que as empresas madeireiras “podem ter razão”, mesmo sem que fosse apresentado um só documento comprovando a legalidade do corte. Pior, o Governo Jair Bolsonaro exonerou o delegado da PF Alexandre Saraiva, por ter cumprido sua missão de apreender mercadoria ilegal. O policial disse que o que Ricardo Salles fez equivale a “um Ministro do Trabalho defender o trabalho escravo”. Comparação perfeita. O delegado perdeu o cargo, mas honrou o nome e sua profissão, ao levar uma notícia crime contra Salles, junto ao Supremo Tribunal Federal, por suposta proteção à atividade irregular de madeireiros na região.  Na reunião de hoje, Bolsonaro disse em discurso ser fundamental “poder contar com contribuições de pessoas, empresas e entidades ” dispostas a ajudar a Amazônia. Em outras palavras: Passou o chapéu, para pedir dinheiro. Deve ter esquecido de que perdeu colaboração de países que enviavam dinheiro para proteção da Amazônia, porque o governo brasileiro pretendia “redistribuir” os recursos para os grileiros que ocupam a Amazônia. Discursar é fácil. Difícil é mostrar o que foi dito. Em todo caso, vamos aguardar para ver no que é que dá. Porque mentira tem perna curta.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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