“Jacaré na rua não é fato inusitado”

Essa fauna urbana… Há alguns dias, viralizou nas redes um vídeo em que aparece um jacaré atravessando a Avenida Dezessete de Agosto, rumo ao Açude de Apipucos.  Para os internautas, o jacaré no asfalto pareceu um fato inusitado. Mas não para os moradores do bairro, que estão habituados a observar não um só, mas vários naquele lago. Eles já foram vistos por pescadores, por residentes do entorno e até por garis da Emlurb, que diariamente trabalham na remoção de detritos e do excesso de plantas aquáticas  dali, como as chamadas baronesas.

No final das tardes, geralmente eles são observados nas margens do Açude, tomando banho de sol.  Eu mesma já os testemunhei várias vezes, durante minhas caminhadas diárias. Embora, pelas manhãs, eu os veja  mais deslocando-se pelo lago. Só aparece a cabeça, mas pela forma de se deslocar não é difícil identificá-los. Tem morador no bairro, como é o caso de Dona Noêmia que até “tem” um jacaré de estimação.  É que o “habitante” do lago quase diariamente a procura, em busca de um naco de carne, sua comida predileta.  Na Região Metropolitana do Recife já apareceu jacaré até na praia. Segundo o biólogo e Coordenador do Centro de Triagem de Animais Silvestres da Cprh, Yuri Valença, a  presença do jacaré em pleno asfalto não é fato raro. E não é mesmo. Vários casos já foram relatados aqui no #OxeRecife, como vocês podem observar nos links abaixo. Já apareceu jacaré até na praia!

“Jacaré na rua é bem comum”, afirma Yuri. “Todos os nossos corpos d´água têm jacaré”, avisa. Em Apipucos, apesar da presença do animal ser conhecida, a meninada costuma mergulhar e até nadar no Açude, principalmente de tarde.  Segundo Yuri, o jacaré- do-papo-amarelo é uma das duas espécies que ocorrem no Estado (a outra é jacaré-coroa). Ele informa, no entanto, que não há registro de incidentes como ataques do jacaré-do-papo-amarelo a pessoas. Porém, no Açude, recentemente uma cadela, Princesa, sofreu um ataque. Em 2020, com as ruas mais desertas devido à pandemia, o aparecimento de jacarés em áreas públicas ficou ainda mais frequente. E alguns já foram devolvidos à natureza pela Cprh (foto).

“Aqui  no Recife, a Veneza Brasileira, somos cortados por rios e canais, que parecem esgoto mas que, na verdade, são antigos rios ou riachos que hoje servem para desaguar águas pluviais e, com certeza, esses animais vivem e sobrevivem nesses ambientes”. Lembra que eles estão em evolução “muito antes da gente”. Com a urbanização, os jacarés realmente  vão aparecer mais, em busca de alimentos. Além disso, à noite com o menor movimento de carros eles atravessam de um lado a outro para ver  onde tem mais disponibilidade de alimento.  No caso da Dezessete de Agosto, o caminho é entre o Açude e o Rio Capibaribe, que ficam em lados opostos da via. De acordo com o biólogo, como o inverno de 2021 não tem sido rigoroso, com a baixa das águas nos mananciais, eles tendem a procurar outras áreas com mais água, para  “que não fiquem presos na lama e possam comer melhor”

No caso do jacaré visto em Apipucos, ele não foi para Cetas Tangara, “pois seguiu para o açude, que é a casa dele”. O Cetas mantido pela Agência Estadual de Meio Ambiente (Cprh) e é o órgão legalmente habilitado para receber animais silvestres procedentes do tráfico, de cativeiros privados, perdidos ou desgarrados.

Veja o video que viealizou nas redes sociais e que foi compartilhado e comentado pela Cprh:

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Cprh / Acervo #OxeRecife
Vídeo: Redes Sociais

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