Relacionamentos abusivos viram espetáculo de dança: “Eu Mulher”

A Cia Vias da Dança está comemorando 30 anos de atividades. Mas, diante do quadro de pandemia, decidiu assinalar a data de forma virtual, com exibição da obra contemporânea Eu Mulher. A narrativa traz histórias de superação de abuso e reincidência de violência contra mulher, num processo de construção colaborativa, desenvolvido sob o olhar do diretor Eric Valença.  O espetáculo promove um encontro ventre a dramaturgia do corpo da bailarina e intérprete Heloísa Duque e o som do instrumentista Pedro Huff, com seu violoncelo. A exibição ocorre na quinta, 25 de março às 20h pelo YouTube.

O encontro tornou-se possível graças à aprovação do projeto em edital da Lei Aldir Blanc através da Secretaria de Cultura de Pernambuco. A Lei Aldir Blanc foi criada para minimizar os efeitos drásticos causados pela pandemia na área cultural e está colaborando para que os artistas no Brasil não estejam desamparados neste período sem apresentações ao vivo.  Eu Mulher é o sexto monólogo que o ator e dramaturgo Eric Valença dirige, sendo o primeiro adaptado para o formato online, após ter realizado obras que estiveram em cartaz em diversos palcos no Recife. “Este é um tópico que já venho pesquisando e desenvolvendo desde o espetáculo Trilogia do Feminicídio”, diz Eric. “É uma pesquisa voltada às mulheres advindas da violência, da resiliência, transformação e das provocações que isso causa em seu corpo”, complementa.

Por conta da Covid-19, a apresentação sofreu mudanças.  “Inicialmente seríamos três bailarinos, mas por causa da pandemia, o espetáculo acabou virando um trabalho solo”, revela Heloísa, que desde 1998 não subia no palco e se inspira na sua e na história de outras mulheres. “No espetáculo temos essa mulher na família, na sociedade, nas relações interpessoais, na maternidade e no amor. A minha própria história representa a história de tantas outras mulheres. Foi assim que surgiu Eu Mulher“, conta.

A participação do violoncelista Pedro Huff na trilha do espetáculo aconteceu de uma forma meio improvisada. “Fui convidado para fazer a trilha sonora já no primeiro ensaio. Foi ótimo porque o diretor chegava na minha orelha e dizia o que estava acontecendo para uma cena de sexo ou em uma cena de ninar um bebê. Fizemos diversos ensaios e logo formamos um duo de jazz com Helô em improvisos estruturados”, lembra Huff. O músico acrescenta que chegaram a um nível de sincronia maravilhoso: “O som do violoncelo é quase uma fala dela e a expressão da dança sai de dentro do som. É uma simbiose muito louca e acaba que nenhuma performance é igual a outra”, reforça.

A Cia Vias da Dança é uma das principais companhias de dança de Pernambuco, tendo alcançado projeção nacional de seus trabalhos. Investindo há mais de duas décadas na formação de bailarinos, a companhia inclui na preparação dos seus elencos, aulas de balé clássico, jazz, barra-solo e atividades que estimulam o desenvolvimento psicossocial e intelectual de cada um dos integrantes participantes dos projetos socioculturais promovidos pela companhia.  No repertório da Vias da Dança, são comuns obras criadas por coreógrafos convidados, o que acaba por propiciar aos intérpretes uma versatilidade ímpar. Trabalhando com criadores diversos e com processos bem distintos, mas contando sempre com a direção e o trabalho técnico-pedagógico da fundadora Heloísa Duque, a companhia preserva uma movimentação característica, mas consegue se reinventar a cada nova criação.

Leia também:
Quando a dor do câncer vira dança
Dança sobre vida depois da morte
História de Brasília Teimosa vira dança
Entra apulso no palco: “Pode entrar”
Noite flamenca na terra do frevo
Quadrilham ganham palcos
O homem de mola do Guerreiros do Passo
Renta Tarub: Dança e inclusão social
Jornada virtual, a dança pandemia
No Dia da Mulher,o legado dos livros daquelas que fizeram história
De Yaá a Penépole africana
Mary de Priori é atração do Circuito Cultural
Branca Dias  “retorna” ao local onde viveu
Sarau das Lobas e Minas no Mamam
Porque somos todos Clarice?
O ano de Cida Pedrosa: escritora premiada, feminista e vereadora
Violetas da Aurora em movimento
Poesia oral tem nova cara

Serviço:
O quê: Eu Mulher

Com quem: Heloísa Duque e Pedro Huff
Quando: Quinta 25 de março de 2021 – Às 20h00
Onde: Online no YouTube: https://youtube.com/channel/UCO0rozscl0Ntd0EeEH1xu1Q

Texto:  Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos:  Divulgação

Compartilhe

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.