O Parque das Graças vem aí…

Ao completar 484 anos, o Recife ganhou um presente. Ou melhor, o aviso de um presente. Porque no serviço público, o anunciado e o prometido sempre diferem do realizado. Obras são paralisadas, o orçamento estoura, os prazos nunca são cumpridos como o previsto. Em todo caso, a notícia de um novo parque para a cidade é sempre motivo para se comemorar. O Prefeito João Campos (PSB) deu início, hoje, à implantação de mais uma área verde, o Parque das Graças, que terá um quilômetro de extensão. Ele será linear, ficará entre as pontes da Torre e a da Capunga, às margens infelizmente tão degradadas do Rio Capibaribe (que bem que merecia, também, ser presenteado com serviço de despoluição).

Parque das Graças terá áreas de convivência e mudará a face da paisagem atual entre as pontes da Torre e da Capunga.

O Parque das Graças representa mais um passo para implantação do Parque Capibaribe, iniciativa cuja previsão  é que se concretize por completo até 2037, quando o Recife completará 500 anos de fundação. Até o momento, o Parque Capibaribe consta com apenas duas intervenções já concluídas: o Jardim do Baobá (Graças, perto do Parque da Jaqueira) e a Praça Otávio de Freitas (Derby). Caso o Parque das Graças seja mesmo implantado, será a terceira intervenção rumo ao caminho traçado para transformar o Recife em uma cidade parque, em uma cidade jardim.

Ao longo do seu um quilômetro de extensão, o Parque das Graças deverá ter: playground, área para ginástica, tirolesa, três áreas de convivência, Parcão, espaços para piquenique, mirantes e área de refúgio da fauna. O projeto do novo parque foi desenvolvido pela Autarquia de Urbanização do Recife (URB), que será responsável pela execução das obras. O prefeito João Campos esteve no local no fim da manhã desta sexta-feira (12), quando assinou a ordem de serviço para o início das serviços. Ele previu a primeira etapa será entregue ainda em 2021 e deve ser concluído em 2023.  Se cumprir, aplausos! O parque começa na altura da Rua Amélia, com uma solução viária que viabiliza a travessia de pedestres na descida da Ponte da Torre, seguindo até a Ponte da Capunga.

O projeto é composto pela implantação de vias de baixa velocidade compartilhadas entre pedestres, ciclistas e veículos motorizados, elevadas ao nível das calçadas e com amplos passeios contínuos e acessíveis, áreas de convivência e plantio de mais de 200 novas árvores. O playground do equipamento terá 397m² de área (para primeira infância, e outra para os maiores de seis anos), área para ginástica, espaço de terra batida com tirolesa e três áreas de convivência, sendo duas próximas à Ponte da Torre, com 120m² e 431m², e uma localizada entre a Rua das Pernambucanas e a Ponte da Capunga (com 444m²). Também fazem parte do projeto a implementação de um Parcão, próximo à rua Osvaldo Salsa, cinco espaços para piquenique, além de dois mirantes (perto da Rua Sebastião Leme e próximo à Ponte da Capunga) e área de refúgio da fauna.

A área passará a contar com um total de 1.011m de rotas cicláveis. Serão construídas, ainda, duas passarelas paralelas à margem do rio a fim de viabilizar a continuidade do passeio em trechos onde não havia largura suficiente para passagem. A primeira delas ficará entre as ruas Aníbal Falcão e Manoel de Almeida e a segunda entre a Rua Dr. Osvaldo Salsa e a Rua das Pernambucanas. Além disso, estão previstos melhorias em uma em vias de acesso ao novo parque, como a  Rua Dom Sebastião Leme e a Rua das Pernambucanas. Para os que não lembram, o projeto Parque Capibaribe  tem por conceito transformar a capital em uma cidade parque.

O projeto consiste em um sistema de parques integrados no Recife, estendendo-se por  30 km do percurso do Rio. Prevê implantação de equipamentos urbanos nas das margens do rio, implantação de um sistema de mobilidade com passeios e ciclovias, além de revelar paisagens locais com áreas de estar, passarelas e píeres para pequenas embarcações. O projeto deve beneficiar mais de 500 mil pessoas e 44 bairros.  O futuro Parque Capibaribe deve se estender da BR 101 até o centro do Recife. O projeto Parque Capibaribe está atualmente ligado à Secretaria de Desenvolvimento de Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (SDECTI) e é coordenado pelo Gabinete de Projetos Especiais (Gabpe). Foi desenvolvido pelo INCITI/UFPE.  Um projeto que valoriza tanto o Capibaribe – atualmente tratado como lixo e esgoto – devia incluir, também, a despoluição do rio que é a cara do Recife. E implantar saneamento básico em toda a cidade já seria meio caminho andado.

Leia também:
Capital mais antiga do  país, o Recife tem festa virtual de aniversário
Outra obra de Frncisco Brennand sofre degradação
Mural sobre Restauração Pernambucana precisa de reparos e não de remendos
Fórum Arte Cidadania movimenta o Recife
Estátua de Ariano no chão
Detonadas as margens do Capibaribe
Depois de pilhado à exaustão, Parque das Esculturas vai ter segurança 24 horas
O drama do Parque de Esculturas: Proteger o patrimônio não é caro
Instituto Oficina Francisco Brennand: O Recife não merece tamanho desrespeito
Parque das Esculturas pilhado. Cadê a serpente que estava aqui?
Parque das Esculturas e indignação: “Esse post é um pedido de socorro”
Marginais roubam tudo, de escultura de uma tonelada a trator. Punição…
Arte monumental & natureza generosa
A voz do eleitor: Que prefeito respeite mais o Recife e o recifense
Que breu é esse na Torre de Cristal?
Torre de Cristal não pode apagar: Trevas onde devia haver luzes

Uma “pérola” na comunidade do Pilar
Fórum Arte Cidade movimenta o Recife
Monumento ao maracatu pilhado
Os remendos nas pedras portuguesas
Vandalismo dá prejuízo de R$ 2 milhões
Apipucos: Adeus às antigas luminárias
Cine Glória: Art-Noveau e decadência
Cine Glória agora é Lin-Lin
Pátio de São Pedro está sendo pilhado
Que horror: Pátio de São Pedro fica sem lampiões até depois de julho
Cadê os lampiões da Ponte Velha?
Ponte da Boa Vista ganha abraço
Ponte da Boa Vista pede socorro
Ponte da Boa Vista: efetuada reposição mas faltam reparos
Bonde vira peça de museu e trilhos somem do Recife sem memória
Recife da paisagem mutilada
Secular Magitot vira ruína na Várzea
A cidade que precisamos
Hamburgo e Recife: semelhanças

Aos 483, o Recife é lindo? Veja fotos
Com Hans, entre o barroco e o rococó
De olho nas luminárias da Bom Jesus

Art Déco: Miami ou Recife?
Passeio do estilo colonial ao moderno bossanovista
Vamos salvar o centro do Recife
Caminhadas Domingueiras: Mergulho no estilo neocolonial no Recife

Você está feliz com o Recife?
O índice de felicidade urbana do Recife
Viva 2018, Recife
O Recife que queremos, em 2019
Recife, cidade parque em 2037
Recife se prepara para os 500 anos
Uma cidade boa para todo mundo
Recife, mangue e aldeões guaiás
Livro mostra mania pernambucana de grandeza: “O mundo começava no Recife”
Livro mostra jardins históricos do Recife
Estátua de Ariano no chão
O abandono do Açude de Apipucos e o pier que nunca foi concluído
Dinheiro público vira ferrugem

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos e maquetes digitais: PCR

Compartilhe

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.