Ciro Barcelos: Do “Dzi Croquettes” ao “Moulin Rouge”, e muita história a contar

Com vida curta – durou de 1972 a 1976 – o Grupo Dzi Croquettes fez o maior sucesso entre o público, durante o  auge do governo militar. Seu visual exuberante, a maquiagem pesada, os trajes femininos e a androginia de seus integrantes terminaram por impor censura às suas atividades e o grupo se exilou em Paris, onde fez sucesso e história. A arte e o escracho da trupe – que tinha grandes bailarinos e atores – encantou figuras famosas, como a atriz Lisa Minelli e o cineasta Claude Lelouch, então o mais badalado do cinema francês.

A ousadia da turma – que  representava uma explosão de liberdade – motivou a criação de outros grupos pelo Brasil, inspirando inclusive o anárquico Vivencial Diversiones, que funcionou em um barracão, em  área popular de Olinda, atraindo público de todas as classes sociais, com espetáculos comandados por artistas que se inspiravam nos Dzi Croquettes (o Vivencial mais tarde inspiraria o filme Tatuagem, de Hilton Lacerda, e o livro de Ana Farache). Também inspiraria a criação de grupos femininos, como as Frenéticas,  de grande sucesso no século passado, comandado por Leiloca Neves. Dzi Croquettes também motivou documentário dirigido por Tatiana Issa e Rapahel Alvarez . Com pesquisa cuidadosa, resgate de imagens e mergulho na história do grupo, o filme ganhou o Festival do Rio, edição 2009.  Já assisti duas vezes. É dez.

Dzi Coquetes tinha treze integrantes, entre os quais Cláudio Tovar, Ciro Barcelos, Carlinhos Machado, Ely Simões, Ciro Barcelos. Alguns já faleceram, mas outros estão aí para contar história, caso de Ciro Barcelos, que tem uma trajetória de sucesso. Nessa segunda-feira (22/2),  às 19h, Ciro Barcelos estará na Live Baião de Dois, comandada por Gonzaga Leal, que vem entrevistando figuras proeminentes da cultura brasileira. Depois do Dzi Croquetes, ele construiu carreira  ao lado de grandes nomes no cenário mundial de dança , atuando em companhias comandadas por ninguém menos que Maurice Bejard e Pina Bausch. “Tudo nele é sensual, dança música e poesia, comenta Gonzaga Leal, que criador e apresentador do Baião de Dois .

“Bailarino, coreógrafo, ator, cantor e diretor teatral. Estudou balé clássico na Escola da Ópera em Paris, Flamengo com o extraordinário Antônio Gades (1936-2004)”, conta Leal. “Na Turquia, especializou-se nas danças Sufis com os Dervixes Rodopiantes”, acrescenta. Mais: “Integrou o grupo original Dzi Croquettes, fundou e dirigiu o balé do Terceiro Mundo, coreografou a abertura do programa Fantástico (TV Globo)”. E ainda: “Dirigiu shows de Gal Costa e Ney Matogrosso e dançou nas companhias de Maurice Bejard (1907-2007) e Pina Baush (1940-2009)”. Como se isso tudo não bastasse,ele ainda foi coreógrafo  de uma das mais importantes casa noturna de Paris, o histórico Moulin Rouge.

Veja o vídeo em que ele convida você para ver a Live e conhecer melhor a sua história:

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Serviço:
O quê: Baião de Dois
Onde: No Instagram de Gonzaga Leal (@gonzaga.leal)
Quando:  22/02/2021
Horário: 19h
Apresentador: Gonzaga Leal
Convidado: Ciro Barcelos, ex-integrante do inesquecível Grupo Dzi Croquettes

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação / Acervo pessoal de Ciro Barcelos
Vídeo: Baião de Dois

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