“Fora Bolsonaro” nas ruas e reações antidemocráticas nas redes sociais

“Cara, se você quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Você manda num jipe, manda um soldado e um cabo. Náo é querer desmerecer o cabo e o soldado”. Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ).

Os onze ministros do Supremo “não servem para porra nenhuma nesse país”, “não têm caráter nem escrúpulo moral”. (Daniel Silveira (PSL-RJ)

“A Câmara dos Deputados entregou ao STF o direito de interferir em outros poderes. Deram um tiro no pé. E ainda vimos a esquerda com o discurso de ódio contra Bolsonaro. Uma pobreza de atitudes daqueles que foram eleitos para legislar. Uma total falta de respeito ao poder legislativo. Decepcionante” (eleitora de Bolsonaro, nas redes sociais).

“A “Lei” Xandre, o Deus do STF, (eleitor de Bolsonaro nas redes sociais ironizando o Ministro Alexandre de Moraes).  Ou seja, mesmo com a Câmara dos Deputados reconhecendo que Silveira errou, mantendo a sua prisão por 364 x 130 votos, nas redes sociais, os adeptos do bolsofascismo já estão pedindo a libertação do deputado infrator nas redes sociais.

Como se vê, o pitibull bolsofacista Daniel Silveira não está só. Há meio mundo de seguidores do Bozó que vivem fazendo toda sorte de postagens, na tentativa de desmoralizar não só a justiça como outras instituições democráticas.  Nesse domingo, começaram a circular postagens em que o STF é comparado a uma ditadura, como vocês podem ver na foto em PB, também “pescada” na Rede. Todos os dias, sobram comentários facciosos nas redes sociais, principalmente no Instagram.  Alguns tão padronizados, que devem vir  já prontinhos do gabinete (ou dos gabinetes) do ódio. E aí os seguidores do Bozó só fazem repicar. E, sempre, mas sempre mesmo, o STF é um dos alvos preferidos, como vocês podem observar.

Dessa vez, o mais atacado é Alexandre de Moraes, como se estivesse acima da Constituição, das Leis, do próprio STF, um “deus”, no caso.  Para essa turma, a volta da ditadura é boa, governo militar é o que presta, torturador merece elogio e o estado de direito não devia existir. Comecei a ser repórter ainda estudante, no governo militar. Lembro de chegar à Redação e ter recados no quadro de avisos, sobre uma ou outra matéria que não podiam ser publicadas. Eram recados dos censores a serviço da ditadura. Lembro, também, das pessoas que morreram nas masmorras do governo militar. Uma vez, fui chamada para uma pauta sobre uma prisioneira que cometera o “suicídio” na prisão. Fui pensando tratar-se de uma presa comum. Mas era uma presa política, cujo nome não lembro mais.

Na época, eu era uma iniciante na profissão, mas o que vi me fez pensar que a presa política não tinha como se matar, da forma como eles alegaram. Mas a gente tinha que divulgar apenas a versão oficial, transmitida à imprensa pelos militares.  Era assim que os parentes dos “subversivos” sabiam da morte de seus entes queridos.  Muitos, no entanto, nunca souberam onde foram parar os seus cadáveres.

Ainda como repórter,  lembro do fim do AI-5, da luta pela anistia, a campanha das diretas já, a redemocratização. As  eleições diretas para presidente da República, governadores, prefeitos das capitais. Porém, quando vejo pessoas – como o clã Bozó e Daniel Silveira –  defendendo o autoritarismo, sinto um frio na espinha. Nós, democratas, sabemos muito bem o que é um AI-5.

Sabemos, também, o pesadelo que é , para o cidadão, a inexistência do estado de direito, a tortura, a censura, a imprensa amordaçada. Então, quero ficar de longe de todas as pessoas que defendem isso tudo. Por isso, fui hoje ao protesto contra o Presidente Bolsonaro, que como todos sabem, simpatiza com regimes autoritários (desde que de direita) e até defende torturadores.

Alguém se lembra do discurso que ele fez tratando como herói o famigerado Coronel  Brilhante Ustra (1932-2015),  que de Brilhante só tinha o nome?  Ex-Chefe do Doi Codi do Segundo Exército, ele foi elogiado pelo capitão em discurso, nos seus tempos de deputado. A história do militar é tão cinzenta, que chegou a ser condenado por crime de tortura, quando era conhecido pela alcunha de Dr. Tibiriçá.  A carreata (com mais de uma centena de automóveis) saiu do Parque da Macaxeira, Zona Norte do Recife e seguiu até a praia de Boa Viagem com críticas pesadas ao Presidente. No percurso, havia populares e motoristas que aplaudiam, gritando “Fora Bolsonaro”. Mas outros  davam tom ao contrário: “Viva Bolsonaro”, “Lula ladrão”.  Só 2022 dirá em que isso vai dar.

Veja o vídeo do protesto no Recife:

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins (manifestação) e Redes Sociais/ Internet

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