Casarão histórico do Sítio do Caldeireiro será preservado em Casa Forte

Não tem como correr. O Recife se verticaliza cada vez mais. Infelizmente. Com a verticalização que se ampliou a partir da segunda metade do século 20, desaparecem relíquias de nossa paisagem urbana, sejam casarões seculares ou marcos da arquitetura moderna. No entanto, a cidade possui exemplos de convivência harmoniosa entre o moderno e o antigo, marcando espaço no presente porém com o cuidado de não apagar o passado. Ou seja, a construção de um condomínio não impede a preservação da memória urbana do município.

E no Recife há exemplos que mostram como isso é possível É só lembrar os casos dos Condomínios Costa Azevedo, Margarida Renda, Mansão Meyer Mesel, Vila Pasárgada e Edifício Maria Pia, que mantiveram as construções antigas à frente dos prédios modernos construídos. O exemplo mais recente ainda é um projeto, mas o #OxeRecife vai antecipar para vocês. É que todos os dias, quando caminho, vejo um casarão abandonado, na Avenida Dezessete de Agosto. E sempre pensava: “Esse será o próximo a cair” Chega dava uma tristeza. Ele fica defronte da Fundação Joaquim Nabuco (Campus Casa Forte). Agora a novidade. O casarão, que tem dois séculos, será uma das atrações do Condomínio Aurora 17- Sítio do Caldeireiro.  O casarão, portanto, será restaurado e preservado. Ele possui 600 metros quadrados de área construída e fica no meio de um  terreno de 5.900 metros quadrados. O antigo Sítio do Caldeireiro será ocupado com quatro blocos de onze pavimentos cada, com um total de 88 unidades residenciais. A iniciativa é da LMA Empreendimentos.

“Respeitaremos completamente o projeto original, pois o casarão será totalmente restaurado e terá vários usos, entre eles coworking, sala de reunião, pet place, espaço beleza. No caso do pet place, será um local onde os bichanos e totós podem receber visita de profissionais para tosa, banho, essas coisas que os bichinhos precisam, porém com o conforto de o dono não ter que sair de casa. Além disso tudo, o casarão terá, ainda um espaço museu, que contará a história do lugar. Iniciativa bem interessante.

Parte do conteúdo que ficará em exposição no museu, aliás,  já se encontra à mostra no muro em cartazes sobre o  futuro empreendimento em que se antecipa como ficará o casarão.  Cercado de prédios, é verdade.  Ele não estará tão visível como os da Mansão Meyer Mesel ou do Vila Pasárgada. Mas se, pelo menos,  vai ser mantido, isso é bom. E oportuno. Agrega história. E com ela, valor, claro. Foi a partir daquele sítio – então com oito hectares – que surgiram bairros  como Casa Forte, Monteiro, Apipucos, afirma Adriel Aragão, Gerente Comercial da LMA.

O casarão bicentenário lembra o estilo do Chalé do Prata, que está em ruínas e que fica no interior do Parque Estadual de Dois Irmãos (foto ao lado). Mas enquanto  poucos recordam da história daquele prédio público que está caindo, o que será restaurado pela iniciativa privada terá sua trajetória resgatada. Os empreendedores informam que fazem questão de preservar o passado.

E contam que  o Comendador Seixas “edifica e passa a residir com a família no sobrado urbano de traços neoclássicos, que ergue no meio de vasto sítio urbano que abrigara artífices  de caldeiraria para engenhos de açúcar”.  Por isso, o local passou a chamar-se Sítio do Caldeireiro. O comendador era Manoel João da Veiga Seixas, nascido em 1856, legítimo representante da burguesia do século 19. Ele vivia da importação e comércio de bacalhau salgado e da indústria de sabão e sabonetes finos que abasteciam os mercados do Norte e Nordeste. Na passagem do Império para a República, vai mudando o padrão de moradia com o deslocamento da casa grande do campo para os sobrados urbanos. E o casarão do Sítio Caldeireiro – agora com sua preservação assegurada – é um bom exemplo disso. O empreendimento será na forma de condomínio fechado e a taxa de adesão é de R$ 126 mil. Depois que o grupo estiver fechado, a previsão é que a entrega ocorra em 48 meses. Quem estiver interessado pode se informar pelo telefone (81) 981873131.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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