Catetos tentam casamento no Recife. Espécie é visada por caçadores

Muito visado pelo caçadores – há quem goste de confeccionar sandálias e bolsas sofisticadas com seu couro de pelagem incomum – o porco-do-mato (Pecari tacaju) é um mamífero que está sob constante pressão, devido à perda de qualidade do seu habitat e à fragmentação das matas. Também conhecido como cateto, uma fêmea da espécie havia sido resgatada no Sertão de Pernambuco, mas não conseguiu se adaptar quando de sua reintrodução à natureza.

Por esse motivo, Pepa – como é mais conhecida – agora está sob os cuidados da equipe do zoológico que funciona no interior do Parque Estadual de Dois Irmãos. Gestora do Pedi, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado (Semas)  informa que está sedo estimulado o namoro de Pepa com Faísca, este um macho que já habitava o Pedi. Tudo para tentar obter reprodução e, posteriormente, introduzir os filhotes à natureza.”A reprodução em cativeiro é uma iniciativa de conservação da espécie, caso seja necessário repovoar áreas verdes”, informa a Semas.

Pepa foi resgatada pela equipe do Centro de Triagem de Animais Silvestres da Agência Cprh, em plena caatinga. Após passar por processo de reabilitação no Cetas, foram realizadas tentativas de reintrodução na natureza. Mas, ela não conseguiu acompanhar o bando da sua espécie e retornou para a fazenda onde havia sido solta. “Em decorrência da dificuldade de reintrodução e por questões de segurança – para não ser predada por uma onça ou por caçadores –, é que o animal foi transferido do Cetas para Pedi”,  conta o médico veterinário e gerente técnico de fauna do Parque, Márcio Silva. “Agora ela tem um local seguro para viver”.

Antes do início do “namoro”, Pepa e Faísca são estimulados a farejar cheiros do sexo oposto em um paninho.

Já no equipamento estadual, antes de dar início ao processo de “flerte” e propriamente o “namoro”, ela passou por check up médico, feito pela equipe técnica do Parque. A bateria de exames atestou que Pepa está com a saúde perfeita. Assim,  pode  se candidatar a ser a companheira de Faísca. “Precisávamos ter a certeza de que Pepa estava bem de saúde para iniciarmos os trabalhos de aproximação com o macho que já abrigávamos aqui. Temos o compromisso com a saúde e o bem-estar de cada indivíduo. A boa notícia é que os dois estão 100% saudáveis”, esclareceu Márcio Silva.  O “romance” entre Pepa e Faísca vai se dar aos poucos, com todo o cuidado e acompanhamento de biólogos, veterinários e tratadores. No momento, os animais são estimulados a farejar os cheiros. Pepa fareja o odor de Faísca. E Faísca, o de Pepa.  Os hormônios, extraídos das glândulas dos dois mamíferos, são colocados em uma toalhinha. Entre os animais, a percepção de odores faz parte dos rituais do sexo.

A Semas informa que somente após a fase de “conquista”, e se Faísca e Pepa se derem bem, será programada a soltura dos dois animais ao mesmo tempo e no mesmo recinto. Isso acontecerá com horário estabelecido e monitoramento da equipe do Parque. “Esse é um processo lento, pois trabalhamos com todo o cuidado para assegurar o bem-estar de cada um dos animais. Todas as etapas são avaliadas e respeitadas. Esse procedimento permanecerá até que os dois animais se aceitem. Só assim podemos afirmar que obtivemos sucesso no pareamento entre os catetos. O que será uma grande alegria para toda a equipe do zoológico”, frisa Márcio Silva. Nos links abaixo, você pode conferir informações sobre outros mamíferos terrestres.

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Texto: Letícia Lins/ #OxeRecife
Fotos: Lu Rocha / Divulgação / Semas – PE

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