Foi preciso uma pandemia para começar o controle da poluição sonora em praias

Sinceramente, foi necessária uma pandemia e a obrigação de esforço a fim de evitar aglomeração, para as autoridades finalmente mostrassem um mínimo de preocupação com o excesso de som em nossas praias. Um abuso que ocorre do Litoral Norte ao Litoral Sul. Nesta semana, amigo meu residente em Itamaracá, Ernesto Mikos, enviou um vídeo mostrando a quantas anda a poluição sonora na Ilha que já foi um  paraíso no passado e que hoje sucumbe ao lixo e ao barulho.

Já um outro, José Amorim,  me contou do barulho horrível em Gaibu,  no Cabo de Santo Agostinho, onde esteve no último domingo. E eu sou testemunha do desconforto em Boa Viagem, Zona Sul do Recife. Funciona assim: Chega um motorista, estaciona o carro em frente a um quiosque, coloca uma caixa de som na calçada e liga no último volume, como se moradores e banhistas tivessem obrigação de ouvir os batidões que essa turma do som alto adora ouvir.

Às vezes, às seis da manhã já tem som a todo volume no calçadão. Na areia, a mesma prática, só que um pouco mais tarde, depois que os ambulantes se espalham. São muitos os barraqueiros que instalam suas caixas de som e colocam um volume tão alto que, se elas atraem alguns, afastam muitos outros. Punição que é bom…. neca. E depois que inventaram o bluetooth, a coisa piorou. Porque todo banhista se acha no direito e amplificar o som do telefone celular e ligar aquele sonzão. E o vizinho de barraca que aguente batidão, funk, sertanejo, brega…

Em Itamaracá, moradores se queixam desse som alto, ligado o dia todo. Vejam só:

Ninguém, mas ninguém mesmo, tem obrigação de ouvir o que não quer.  Pois a partir dessa sexta-feira (15/01), está proibido som ao vivo ou mecânico em bares, restaurantes, demais estabelecimentos e … praias. Ou seja, quem estiver na areia finalmente vai ter direito de ouvir o barulho das ondas do mar. “O som é um  fator de aglomeração forte nesses espaços”, afirma o Secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo. O som alto, aliás, não é só um fator de aglomeração. É poluição sonora, desconforto e gera até brigas. No Recife, já provocou até mortes.

Tem outro som que anda incomodando muita gente e que as autoridades fazem vista grossa. Nem sei porque essas blitzes de Lei Seca não se organizam com outras instituições e não apreendem essas motos envenenadas que circulam por aí, com decibéis muito acima do permitido. Tenho visto queixas quase diárias na imprensa, mas nenhuma autoridade toma providência. Cadê a Cttu, cadê a Dircom, cadê o Detran? O abuso só aumenta.

As noites de Boa Viagem, por exemplo, têm sofrido perturbações quase diárias, principalmente às quintas-feiras. Muitos moradores me reclamaram. Mesmo na Zona Norte, quem mora em  via movimentada, como é o meu caso, também padece com as motos com escapes abertos. Como não há punição, elas aumentam a cada dia. Posso dizer, sem medo de errar que entre julho de 2020 e janeiro de 2021 o desconforto aumentou mais de 60 por cento. E vai aumentar mais, enquanto ninguém punir, multar, recolher as motos. Eles passam de madrugada, barulhentos, em frente a hospitais, maternidades, asilos. Não têm dó de ninguém, nem mesmo dos pacientes hospitalizados da Covid-19.

A  Secretaria Estadual de Saúde informou que nas últimas 24 horas foram registrados 1.412 casos da Covid-19 em Pernambuco. Agora, o número oficial de infectados está em 237.453. Também foram confirmados 27 óbitos devido à infecção causada pelo coronavírus. Em Pernambuco, o número de mortos devido à doença é de 9.946. Um horror. A aeronave que vai buscar 2 milhões de vacinas na Índia (produzidas pela Universidade de Oxoford e AstraZenca decola do Recife na sexta-feira (15/01). Ele vem do Estado de São Paulo, pernoita na cidade hoje, já carregado de conteiners e segue amanhã para a missão tão aguardada pelos brasileiros. O lote é importado pela Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz).

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife
Vídeo: Ernesto Mikos / Cortesia

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