Bebê órfão arranja mãe adotiva no Parque Estadual de Dois Irmãos

Que coisa mais fofa! Pensem em um bichinho lento, manso, mas cheio de carisma… Assim é o bicho preguiça. E esse filhote da foto foi resgatado pelo Ibama de Alagoas. Mas agora está no Recife, sob os cuidados dos técnicos do Parque Estadual de Dois Irmãos, onde há um bonito projeto, o Preguiça de Garganta Marrom, que é uma espécie de refúgio das preguiças perdidas. E que, no Brasil, transformou-se em referência em reabilitação e reintrodução da espécie à natureza. No Nordeste, o bicho preguiça vive na Mata Atlântica, mas com o avanço da especulação imobiliária e a destruição do bioma, vez por outra são encontradas em rodovias e áreas urbanas.

André – como é chamado – chegou ao Pedi, com apenas três meses de vida, mas só teve seu processo de adaptação divulgado nesta semana. O bebê está bem de saúde e vem se desenvolvendo normalmente, apesar de ter perdido a mãe tão cedo.  O Ibama havia tentado, em Alagoas, fazer a reabilitação de outro bicho preguiça. Porém a missão fracassou. Por esse motivo, preferiu fazer parceria com o Pedi, no segundo caso. “Receber um animal tão jovem é sempre um desafio e essa espécie requer um manejo muito especial”, afirma Fernanda Justino, bióloga e coordenadora do Projeto em Dois Irmãos. “Ao longo dos anos, desenvolvemos métodos de manejo que tem uma alta taxa de sucesso,  e André tem grandes chances de voltar à natureza e cumprir sua missão”, afirma.

A previsão é que André leve um tempo maior para aprender os comportamentos naturais da espécie em vida livre, como a busca pela comida, quando descer e subir das árvores, entre outras atividades. Normalmente, as preguiças seguem a vida sem os cuidados maternos ao atingir os seis meses. Mas no primeiro semestre de vida, os ensinamentos da mãe são fundamentais, pois ela mostra até que folhas o filhote deve escolher para comer, evitando que ele consuma plantas venenosas. No caso do pequeno que perdeu a mãe, estima-se que esse desenvolvimento leve até um ano e meio para ser alcançado, pois comportamentos naturais precisam ser estimulados.

“Por ser filhote, usamos técnicas para compensar a ausência materna. Fazemos o aleitamento artificial e estimulamos comportamentos, como ofertar variedades de folhas para que defina sua preferência, colocar o pequeno em contato com o solo para defecar e urinar, além de subir em galhos para aprimorar sua locomoção”, diz a bióloga. “Mas, a velocidade do desenvolvimento dependerá dele. Ele precisa demonstrar que seus comportamentos naturais estão o mais próximo possível do que precisará para sobreviver em vida livre”, explica Fernanda.

A bióloga diz que ainda conta com uma ajuda muito especial para acelerar o desenvolvimento do filhote. Trata-se de Laura, uma fêmea adulta que foi resgatada recentemente na área de mata atlântica do parque e está se recuperando de uma cirurgia. “Os dois convivem no mesmo ambiente. André gosta muito de Laura e fica sempre junto dela. Isso é importante porque ele observa o comportamento de um adulto e aprende também os hábitos naturais. Esse reforço especial de Laura ajudará muito que André cresça saudável e apto para retornar à natureza”, conclui Fernanda Justino.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Lú Rocha/ Semas-PE

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