Calçadas: Acessibilidade Zero

Bem que o Prefeito João Campos (PSB) poderia marcar o início da gestão com reparos nas nossas calçadas, com carinho especial – pelo menos – para os trechos que ficam nas paradas de ônibus. No Recife, não são poucas aqueles completamente inacessíveis para pessoas com  mobilidade reduzida, cadeirantes e com baixa ou nenhuma visão. São verdadeiras armadilhas até mesmo para quem não tem nenhum desses problemas. Essa calçada da foto acima, sem condição de acessibilidade, ganhou registro aqui no #OxeRecife em 2017.

Mas está hoje do mesmo jeito. Pelas redes sociais, sempre chegam reclamações da situação das calçadas não só do centro, como de bairros como Encruzilhada, Espinheiro, Casa Forte, Macaxeira. A gestão passada até que deu uma repaginada em calçadas de bairros como Jaqueira, Graças, Boa Vista e Torre.  Houve requalificação em vias importantes, como a Avenida Norte, porém a melhora só atingiu doze por cento da extensão da via. Onde foi feito, ficou bom para andar. Mas infelizmente há trechos intercalados com a maior buraqueira.

Essa é a calçada que fica na parada de ônibus na Av. Afonso Olindense, Várzea, bem pertinho de repartição estadual.

A calçada da foto superior fica na Avenida Dezessete de Agosto, no bairro de Casa Forte, em parada de ônibus com abrigo. Pasmem: Há até local discriminado para cadeirante mas o problema é o cadeirante chegar lá. São pedras soltas, outras presas e pontiagudas com a ponta virada para cima, buracos, remendos. Pior: Há oito anos que a situação é desse jeito. Nesta semana, leitora residente na Encruzilhada queixou-se das calçadas não só do seu bairro, como da Várzea, onde esteve na semana passada.

“Parada de ônibus na Avenida Afonso Olindense, Várzea, junto da Secretaria de Educação do Estado”, informa ela. Realmente, para o pedestre é uma dificuldade. E eu só testemunha disso, pois já precisei imobilizar meu pé várias vezes por conta de irregularidades em calçadas do Recife, durante minhas caminhadas. Como diz o Movimento Olhe pelo Recife -Cidadania a Pé, liderado pelo urbanista Francisco Cunha, é preciso que as autoridades lembrem-se que dois terços das populações das grandes cidades brasileiras se locomovem a pé ou utilizam transporte público. Ou seja, precisam de calçadas até para pegar o ônibus ou o trem.

A mobilidade a pé, como se sabe, é um dos pilares que compõem s construção colaborativa da Nova Agenda Urbana (NAU). Chancelado pela ONU-Habitat, o documento deverá guiar o desenvolvimento sustentável do mundo até 2036. Será que o Recife chega lá? Durante sua gestão, o ex-Prefeito Geraldo Júlio (PSB) lançou o Programa Calçada Legal, que previa a requalificação de 134 quilômetros de extensão de calçadas em vários bairros do Recife. A proposta, com investimento de R$ 105 milhões deveria ter sido concluída em 2020.

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Texto:  Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins e Cortesia do leitor

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