João Campos, se eu fosse você…

Caro Prefeito João Campos:

Sua campanha eleitoral foi recheada de muitas promessas, mais de 40.  Que eu me lembre, pelo menos. Inclusive um alardeado ”choque de gestão”, com redução ou remanejamento de secretarias. Iniciativa que, infelizmente, até agora rendeu uma economia mensal de apenas R$ 78.  Esperamos que o “choque” realmente ocorra, e que gere uma economia grande, que lhe proporcione recursos para construir tudo que prometeu. Mas a população do Recife não quer só um choque de gestão. Porque o que a cidade precisa, Prefeito, é um freio de arrumação.

Nosso Recife é uma bela cidade, que encanta não só seus moradores como turistas. Mas ultimamente foi sucateada, arrasada, descaracterizada. Ruas históricas como a do Imperador viraram um acampamento, com barracas de lona preta sobre as calçadas, inclusive as de monumentos seculares tombados.  Praças como a Maciel Pinheiro e Osvaldo Cruz também estão ocupadas. É verdade que a desigualdade é grande e que os problemas sociais aumentaram com a pandemia. Mas calçada é local público, destinado a pedestres e elas não podem ser ocupadas dessa forma. Cabe à gestão pública criar políticas que abriguem as pessoas que estão sem teto. É verdade que algumas calçadas foram requalificadas. E isso é bom. Mas há outras que oferecem risco aos pedestres.

E até  inviabilizam a acessibilidade. Há calçadas, junto a paradas de ônibus, que são um perigo principalmente para idosos. E que praticamente não permitem a locomoção de cadeirantes. E estão assim há mais de oito anos. Ninguém fez nada. Locais turísticos como o Pátio de São Pedro e o Parque das Esculturas Francisco Brennand passaram oito anos de gestão socialista totalmente abandonados. Tanto que o segundo foi pilhado até mesmo em suas peças gigantescas, fato que virou notícia nacional. Pontes como a 6 de março (Ponte Velha) perdeu seus lampiões e a da Boa Vista teve até o guarda-peito roubado. É preciso que o Prefeito circule pela cidade, observe suas praças e ruas icônicas, como a da Aurora e a do Sol, que estão entregues às baratas. Tinham um lindo gramado, mas até isso se foi. É preciso andar por Praças como a Maciel Pinheiro, a Dezessete a da Independência. Estão todas arrasadas. Parece até que sofreram um bombardeio.

E algumas até descaracterizadas, pois a gestão que se encerrou simplesmente padronizou as luminárias de todas elas com uns lampiões de ferro que parecem monstrengos. Até mesmo luminárias de pontes – clássicas e já incorporadas à identidade do Recife – “dançaram”. Se eu fosse você, Prefeito, colocava todas de volta no seu devido lugar. Em qualquer cidade importante do mundo elas seriam preservadas, em nome da paisagem. Aqui, nem se sabe que fim se deu a elas. Antiquários, depósitos da Prefeitura?

Também não anunciaria a simples duplicação dos pontos de coleta de lixo. No Recife, o lixo faz parte da paisagem. Uma tragédia. O lixo exige educação, cultura de separação, fiscalização, aplicação de multa para porcalhões. Do jeito que as coisas andam, simplesmente duplicar os pontos de coleta não vai adiantar. Sim, Prefeito, você prometeu dois parques, um no Pina e outro na Tamarineira.

Isso é bom, quanto mais áreas verdes uma cidade possui, claro, melhor. Mas seu eu você você, prometeria o plantio de 20 mil árvores que a gestão atual deve ter destruído. O Recife, infelizmente, transformou-se na capital do arboricídio, mas  nos seus planos de gestão não há uma referência ao assunto. Também parece que o Capibaribe nem existe, nem passa pela cidade. Mas se a área saneada do Recife aumentar em 50 por cento, como está na promessa de campanha, o Rio será poupado de tanta poluição. Já é um bom começo. E um bom caminho para o futuro, com o rio mais limpo, com carga menor de esgoto doméstico.

Nas  fotos acima, três situações no Recife. A primeira e a segunda mostram como está hoje a histórica Rua do Imperador. A terceira é um retrato de como o Rio Capibaribe foi tratado na gestão que se encerra. Essa lixarada que restou na Avenida Beira Rio, na Torre, foi de uma obra pública, manutenção de ponte. A quarta mostra as luminárias padronizadas que estão desfigurando as praças do Recife e até mesmo algumas pontes. O Prefeito diz, sempre, que vai fazer o que “está faltando”. Mas não afirma o que é que é que falta. Mas o morador do Recife sabe, que falta o principal, cuidar da cidade como todo, com amor e mais carinho. Sempre mantendo e respietando o seu  patrimônio natural, histórico, arquitetônico. E não destruindo-o, como a gente viu acontecer nos oito últimos anos da gestão que se encerra e que tem a pilhagem no Parque de Esculturas Francisco Brennand, um bom exemplo.

Boa Sorte, João Campos!

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Acervo #OxeRecife

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