Pandemia: Sem shows ao vivo, DJ 440 cria loja virtual com vinis de trabalho

O ano de 2020 não foi fácil para quem vive de música. Com a pandemia, lockdown, shows proibidos e suspensas até mesmo festas populares – como São João, Natal e Réveillon – há milhares de profissionais que estão prejudicados, e em dificuldade para arranjar o pão de cada dia. E outra festa onde eles costumam faturar também já está cancelada em Pernambuco: o carnaval. Então, quem vive de música tem mesmo é que se reinventar, enquanto o isolamento social ainda for a melhor forma de evitar a disseminação do novo coronavírus. É o que tem feito o DJ 440, que além de alimentar com lives sua redes sociais,  acaba de criar um lojinha virtual para negociar vinis.

O carnaval de 2020, aliás, foi o último grande compromisso profissional do DJ 440. Conhecido por suas discotecagens e pesquisas de música brasileira, aliando o antigo ao novo (com edits, remixes , mashups e muita música regional), o artista se firmou como um dos nomes mais representativos do país quando se trata da cultura de vinil, inclusive com os encontros semanais que costumava promover no Pátio de Santa Cruz e depois na Passa Disco. E que,em 2020, terminaram movimentando até mesmo o reinado do frevo, no império do Rei Momo.  “Logo depois do carnaval apoteótico deste ano no Recife, onde a Terça do Vinil marcou presença no palco do Marco Zero e tocamos para cerca de 300 mil pessoas, fizemos apenas uma edição open air no Catamaran e poucos dias depois foi anunciado que entraríamos em uma pandemia global”, conta. No meio do pandemônio, já são quase dez meses sem um grande show. O que, convenhamos, não é fácil.

“Todo esse período sem atividade presencial como DJ”, diz. “Mais recentemente fizemos uma pequena inserção em um espaço aqui em Recife, com reserva de mesas, já diante das flexibilizações para bares e restaurantes, que foi a forma que encontramos de continuar nosso diálogo com o público e também de buscar via de respiro para o nosso trabalho na área cultural, que de todos os segmentos foi um dos mais afetado”.  Muitos artistas passaram a se “virar”, arranjando patrocínios e realizando lives. Ele também tentou não se afastar do seu público, com conteúdos produzidos nas suas redes sociais, como lives no YouTube, quadros de entrevistas com artistas convidados no Instagram, e ainda playlists em todas as plataformas.

Mas além disso, o DJ e produtor cultural lançou uma lojinha virtual de vinis. “ A lojinha veio ressignificar e dar novos destinos ao montante de discos que eu tinha estocado, e que agora vai fazer parte de outras histórias, oxigenando e fazendo girar esse conteúdo musical”, diz. E acrescenta: “Estamos muito felizes em poder ver o interesse do público e a partir disso termos mais essa possibilidade de continuar levando música para a vida das pessoas”. Com a loja de vinis online, a ideia do artista é poder fazer circular todo o conteúdo musical catalogado ao longo de mais de 20 anos pelo Brasil e pelo mundo, disponibilizando para o público discos raros. A loja pode ser acessada através do Instagram do seu projeto Terça do Vinil, e conta com títulos que vão desde Chico Buarque a Miles Davis, passeando por diversas vertentes da música brasileira, dos artistas clássicos aos contemporâneos, e  também títulos de Jazz, blues, Rock e música eletrônica.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Divulgação

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