Depois do Teatro, que tal lutar pela recuperação do antigo Hotel do Parque?

Esquecido durante os oito anos da gestão socialista de Geraldo Júlio, um pedaço do bairro da Boa Vista necessita de olhar diferenciado do Prefeito que assume o comando do Recife a partir de janeiro de 2021. É aquela área que inclui ruas como Imperatriz, Hospício, Conceição, Aragão e Praça Maciel Pinheiro, as quais guardam relíquias arquitetônicas e importantes na nossa história. E uma delas, sem dúvida é a Rua do Hospício, onde o secular Teatro do Parque acaba de conquistar o esplendor do passado, após passar uma década fechado ao público. O mesmo, no entanto, não acontece com o seu entorno. O que se vê são de calçadas desgastadas, lojas fechadas e antigo casario caindo aos pedaços ou desfigurados, como – aliás – ocorre sempre nos bairros centrais do Recife..

E um dos prédios que merecem atenção especial é exatamente o antigo Hotel do Parque, do qual o Teatro do Parque era um anexo no início do século passado. Com três pavimentos e representante de mistura de estilos (eclético e neoclássico), o Hotel do Parque até antes da pandemia tinha o andar térreo ocupado por uma loja de eletrodomésticos que desfigurou completamente a fachada desse pavimento. Os demais, no entanto, permanecem com a arquitetura original e não seria demais recuperar a fachada, para que ele se integrasse ao conjunto criado no início do século passado pelo comendador português Bento de Aguiar, que implantou no local um plano ousado, no qual pretendeu reconstituir um complexo de lazer parecido com o modelo então vigente em Lisboa.

Depois de desfigurar por completo o andar térreo do antigo Hotel do Parque, loja  fecha as portas na Rua do Hospício.

Depois de reformado, o Teatro do Parque bem que merece ficar em boa companhia, com boas calçadas na Rua do Hospício, onde fica – também – a sede do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco. Na esquina da Hospício com a Imperatriz temos a Matriz da Boa Vista, um dos templos mais bonitos do Recife, cuja construção foi iniciada em 1784, sendo concluído 105 anos depois. Na Rua da Imperatriz, fica, também, o prédio onde nasceu o abolicionista Joaquim Nabuco. Andando em direção à rua do Aragão, você vai encontrar a Praça Maciel Pinheiro , erguida em homenagem aos heróis da Guerra do Paraguai. Está totalmente degradada.

A Maciel Pinheiro não tem gramado, está com bancos  quebrados e suas antigas luminárias vêm sendo substituídas por monstrengos de LED, com as quais a Prefeitura decidiu desfigurar todas as praças da cidade. E na Maciel Pinheiro que fica, também, o sobrado onde Clarice Lispector passou a infância e o qual a Fundação Joaquim Nabuco anunciou recentemente que pretende restaurar. Ainda bem. Por enquanto, está tudo caindo aos pedaços. Ainda ali pertinho, há duas relíquias religiosas, na Rua da Conceição: as igrejas Rosário da Boa Vista (século 18) e Santa Cecília (século 17), mas a Conceição virou um amontoado de calçadas ocupadas  com mercadorias ou esburacadas. Mas assegurar ao Hotel do Parque a mesmo cuidado que foi destinado ao Teatro já seria um bom começo para recuperar uma das áreas mais degradadas do centro. Como o prédio do Hotel  não é  público, que tal uma boa parceria com a iniciativa privada, que pelo menos lhe assegurasse a feição original?

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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