Pernambuco ganha unidades de conservação que beneficiam Rio Capibaribe

Pernambuco ganhou, hoje, mais três unidades de conservação conforme anunciou o Governador Paulo Câmara (PSB), em entrevista virtual. São elas: Refúgio Cabeceiras do Capibaribe, a APA Serras e Brejos do Capibaribe e ainda o Refúgio de Vida Silvestre Mata do Bitury. Todas ficam na Bacia do Rio Capibaribe, e  visam proteger o Rio que nasce no Agreste e percorre mais de 240 quilômetros e 42 municípios até chegar ao Recife.  Agora,o número de áreas protegidas no Estado passa de 86 para 89, de acordo com o Presidente da Agência Estadual de Meio Ambiente (Cprh), Djalma Paes.

Destas, 71 pertencem ao Estado enquanto 15 são particulares. As novas reservas são compostas por brejos de altitude, matas secas, serras e planícies, um conjunto considerado essencial para proteção do solo, reabastecimento dos lençóis freáticos, afluentes e do próprio Rio Capibaribe, além da preservação da biodiversidade local. “Em um tempo de emergência climática, onde os efeitos atingem o mundo, Pernambuco procura dar a sua contribuição. É necessário que a gente olhe como cuidar do meio ambiente e ainda assim garanta o desenvolvimento sustentável. Água é matéria prima para a vida, mas também para a produção”, frisou José Bertotti, Secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco.

Localizada na Região Agreste, Refúgio da Vida Silvestre Mata do Bitury  transformou-se em unidade de conservação.

“A água que temos hoje disponível em um determinado local, como no Rio Capibaribe, depende de toda uma região que  acoleta. Por isso, não basta só proteger o entorno das nascentes, mas sim toda essa área rica em recursos hídricos”, diz. ” Ao criar as novas UCs, queremos garantir água em qualidade e quantidade para os pernambucanos hoje e no futuro, pois a população e a economia dependem dela”, afirma Bertotti.  Das novas unidades de conservação, a maior é a APA Serras e Brejos do Capibaribe, que tem 73,7 mil hectares. Ela se estende por parte dos municípios de Brejo da Madre de Deus, Taquaritinga do Norte, Belo Jardim e Vertentes,todos no Agreste. Seu objetivo é ordenar a ocupação do solo e promover o uso sustentável dos recursos naturais.

Já o Refúgio Cabeceiras do Rio Capibaribe contempla uma área de 6,9 mil hectares, entre os municípios de Jataúba e Poção, também no Agreste do Estado. A unidade compreende remanescentes contínuos e bem preservados de Brejos de Altitude e Caatinga, com extrema importância biológica por abrigar as espécies nativas e ameaçadas, entre elas 282 florestais. Toda a vegetação protege um conjunto de áreas de recarga e nascentes no trecho inicial do Rio Capibaribe. A conservação e expansão das florestas locais é vital para gerar água limpa e abundante. Essas florestas se tornam ainda mais necessárias por amenizar o microclima e sustentar a oferta de água no contexto de secas prolongadas.

O Refúgio de Vida Silvestre mata do Bitury tem 888,25 hectares e a maior parte do seu território fica no município de Brejo da Madre de Deus, localizado a 204 quilômetros da capital. Possui 290 espécies vegetais e a fauna tem pelo menos 175 espécies, sendo 154 aves e 21 mamíferos. Trata-se de uma área de proteção integral, com regras e normas mais restritivas, sendo admitido apenas o uso indireto dos recursos naturais. A região tem o mais extenso e preservado trecho dos remanescentes de mata úmida de altitude do interior da bacia do Capibaribe, com cobertura vegetal nunca suprimida. Essa vegetação diverge das já preservadas nas UCs da Zona da Mata pelo isolamento geográfico, assim como de outras dentro da bacia, por apresentar uma floresta mais densa. No Recife, o Capibaribe corta bairros como Várzea, Apipucos, Monteiro, Poço da Panela, Jaqueira, Graças, Caxangá, Torre, Boa Vista, entre outros.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Lu Rocha/ Divulgação / Cprh / Semas

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