Crise na Saúde: #SomostodosCisam

Instituição de referência para partos de alto risco e para realização de abortos autorizados pela lei  –  como de fetos resultantes de estupro –  o Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (conhecido entre a população como Maternidade da Encruzilhada ou Cisam)  atravessa a maior crise de sua história. Sem profissionais para atender à demanda, o instituição suspenderá todas as cirurgias eletivas, a partir da segunda-feira (15/12). Desde o último dia 11, no entanto, a sua maternidade já havia sido fechada para a central de regulação de leitos do estado, sendo que também fecha as portas para a demanda espontânea. Ou seja, uma situação caótica, que vai dificultar ainda mais a vida de mulheres que precisam de atendimento público de saúde.

A crise se deve à falta de profissionais em quantidade suficiente para garantir um atendimento digno às pacientes. Muitos dos seus enfermeiros, técnicos em enfermagem, médicos encontram-se com Covid-19, inclusive com quantidade grande de profissionais internados.  Mas segundo a Coordenadora de Enfermagem do Cisam, Benita Spinelli, há outros problemas de saúde afetando a equipe, que vem trabalhando em regime de pressão extrema, por conta da insuficiência de profissionais.  Via redes sociais, ela fez um apelo dramático às autoridades sanitárias do Estado para que recomponham o quadro, pois não há como suprir as demandas mantida a atual situação.

Benita reforça a informação que desde o início da pandemia que os números de afastamento “são tantos e constantes”, que não há mais condições de atender à população. A Cisam vem trabalhando com “déficit de recursos humanos”, déficit esse que “já era um problema rotineiro da instituição”, e que piorou com o agravamento da crise sanitária. “Uma instituição de saúde não pode trabalhar sem enfermeiros nem técnicos de enfermagem”, lembra ela na postagem. O problema é tão grave, que o próprio Cisam já tinha incluído  no seu planejamento para 2012, a redução de 37 leitos em janeiro. Tudo por falta de profissionais. Mas diante da crise sem precedentes, foi preciso se tomar decisão ainda mais radical, que foi antecipar para já o fechamento para a central de regulação de leitos do estado. “Não temos condições de atender toda a população porque não temos enfermeiros 24 horas”.

“Então, trazendo informações para pedir apoio das autoridades para que tranquilizar a população, sobretudo a feminina, que busquem outro serviço enquanto a Cisam consegue se organizar  se reestruturar para que em breve a gente possa estar abrindo as portas e atendendo a todos vocês com a melhor qualidade possível”. Durante o final de semana, nas redes sociais de profissionais ligados à saúde foi  exaustivamente divulgada um card com os números da crise que, segundo Spinelli não é oficial. Em todo caso, mostra a preocupação dos profissionais do setor.

“Em defesa da mulher pernambucana, não deixem a Cisam fechar” , apela o texto divulgado no card. O post mostra os números: “Centro Cirúrgico e Obstétrico de 71 enfermeiros, estamos com 12 profissionais”.  Também afirma que só há nove enfermeiros para 67 leitos. E que 32 leitos neonatais contam com apenas 14 enfermeiros. O #OxeRecife procurou Spinelli e o Conselho Regional de Enfermagem para fazer um cálculo comparativo dos números constantes no card e a demanda realmente necessária daqueles profissionais. Ambos informaram, no entanto, tratar-se de cálculo complexo, porque a demanda varia de acordo com o tipo de serviço hospitalar. Em todo caso,  a necessidade para que o Cisam volte a operar , seria  a contratação imediata de 38 enfermeiros e 39 técnicos de enfermagem.

O Cisam realiza 400 procedimentos mensais, entre partos normais, cesarianas, curetagens, abortos legais e além de outros serviços e atendimentos de emergência. A instituição integra o complexo hospitalar da  Universidade de Pernambuco (UPE) ao qual está integrado, também, o Hospital Osvaldo Cruz. Benita Spinelli informou que com o deficit de profissionais não há como garantir o trabalho, motivo pelo qual serão suspensas as cirurgias eletivas a partir da segunda-feira (14//11).  Ela disse que foi solicitada contratação de novos profissionais às autoridades estaduais, mas que até o momento não foram ainda efetivadas.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Redes sociais

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