Vítima de tiroteio vira nome de praça

Apaixonado pelo Recife, o empresário Cláudio Bandeira de Melo não teve a paixão correspondida, e sucumbiu à violência da cidade. Ele é uma das duas vítimas fatais do tiroteio ocorrido em um bar de Boa Viagem, após discussão entre um major da Polícia Militar e um policial civil lotado no sistema penal de Pernambuco. Na confusão, cinco pessoas ficaram feridas. Ou seja, um massacre, naquele que deveria ser um dia de lazer para muitos moradores da Zona Sul.

Amante da boa mesa e de um bom copo, o empresário costumava frequentar bares e restaurantes de Boa Viagem, como  Alphaiate, Tomaselli, Tasca e gostava, também, de frequentar o restaurante do Cabanga Iate Clube. Ele frequentava ocasionalmente o bar onde foi alvejado, “mas lá conhecia todo mundo, do dono aos frequentadores”,  recorda um sobrinho, Ricardo Bandeira de Melo.

O tiroteio foi no mês de setembro, e os responsáveis encontram-se em liberdade. Para homenagear Cláudio, o vereador Jayme Asfora (PMDB) apresentou  projeto de lei ordinária, nominando  de Praça Cláudio Bandeira de Melo o logradouro que fica na Rua Aviador Severiano Lins, no mesmo bairro onde ele morreu ao ser alvejado por uma bala, sem que tivesse nada a ver com a briga daqueles que deveriam zelar pela segurança da população, como agentes da lei que são. Ou melhor, deveriam ser. Jayme não se reelegeu, mas parentes da vítima esperam manter a homenagem.

O projeto de lei ordinária ainda tramita na Câmara Municipal.  Foi feita consulta ao Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano sobre a praça e não há nenhum motivo que impeça a providência. “Neste Instituto não existe nenhum registro no logradouro em tela”, afirma Sílvio Amorim, Presidente da entidade.  Amorim diz, ainda, que a homenagem ao empresário é justificada não só “pela sua integridade” mas também pela “comoção em todo o Estado pela tragédia que o abateu”.

Sobrinho da vítima, Ricardo Bandeira de Melo espera que o encaminhamento seja concluído em 2020, mas acredita que se não for possível, o assunto será aprovado em 2021. A praça, no entanto, está bastante derrubada. Ricardo acredita na força de um mutirão para melhorar. Ele espera transferir para o local, o mesmo espírito que norteia o coletivo que criou o Jardim Secreto, no Poço da Panela . O estudante de direito é um dos integrantes do coletivo que transformou em área verde um terreno de 3.000 metros quadrados que vivia cheio de lixo e entulhos, à margem do  Capibaribe. E que hoje é uma área de lazer de uso comum da comunidade dos dois lados do Rio.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Ricardo Bandeira de Melo 

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