Instituto Oficina Francisco Brennand: “O Recife não merece tamanho desrespeito”

Um dia após o #OxeRecife ter noticiado, com exclusividade, o roubo de peças do Parque de Esculturas do Marco Zero, o Instituto Oficina Francisco Brennand divulgou nota denunciando “a incapacidade do poder público de zelar pelo bem comum” e afirmando que “O Recife não merece tamanho desrespeito”.  As peças, inclusive a Serpente (foto) de uma tonelada e 22 metros de comprimento, foram roubadas na última segunda-feira de lua cheia, sem que nenhum órgão de segurança ou a Prefeitura do Recife impedissem a pilhagem. Imaginem, um roubo de uma peça de uma tonelada acontecer… . Pior: a denúncia foi feita no momento da retirada, e flagrante que é bom, nada…

Normalmente a manutenção de praças e parques do Recife é feita pela Emlurb. Mas por ser um ponto turístico, o Parque das Esculturas é gerenciado pela Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer (Seturel), que foi incapaz de articular um planto de segurança para a atração, fosse com o poder público ou com a ajuda da iniciativa privada. Basta dizer que nem iluminação ele tinha. Desde a sua inauguração, em 2000, que o Parque de Esculturas do artista vem sofrendo ação de bandidos e vandalismo, sem que o poder público tomasse nenhuma providência para evitar o pior. Dá até a impressão que, dentro de pouco tempo, também levarão a Coluna de Cristal. O Parque, uma das principais atrações turísticas do Recife, está às escuras desde o ano passado. Ou seja, do breu total. E todo mundo sabe que falta de iluminação pública é um convite para a ação dos marginais. E ali é um grande exemplo.

Autor da denúncia sobre o crime contra o patrimônio, o dono da La Ursa Tours, Roderick Jordão, recebeu informação que uma das peças roubadas, um pelicano, estaria jogada, hoje, na areia da Bacia do Pina, por trás do DNER. Nas redes sociais do #OxeRecife, hoje, choveram mensagens de indignação.

Veja a nota, na íntegra:

É com profunda indignação, mais uma vez, que o Instituto Oficina Francisco Brennand tomou conhecimento do novo ato de vandalismo ao Parque de Esculturas Francisco Brennand, dessa vez o inconcebível furto do conjunto único de escultura doadas pelo artista Francisco Brennand. Projetado pelo artista a pedido da Prefeitura do Recife no marco 500 da chegada dos portugueses ao Brasil, o  Parque de Esculturas Francisco Brennand foi inaugurado em 2000 com mais de 90 obras- tornando-se um dos mais visitados pontos turísticos da cidade. Desde sua inauguração, o espaço sofre recorrentemente com ações de vandalismo e depredações pela falta de zelo e manutenção do poder público, transformando o que seria um cartão postal da cidade em um lugar de abandono e insegurança.

O descaso com um patrimônio dessa dimensão, símbolo de uma cidade e situado no seu Marco Zero, é uma ofensa à população do Recife e um sintoma da incapacidade do poder púbico de zelar pelo bem comum.

É imprescindível que as autoridades públicas competentes tomem as devidas providências para recuperar o conjunto de esculturas, que as obras sejam refeitas e reinstaladas, e as melhorias na conservação e na segurança do espaço sejam implementadas de forma permanente.

 Esperamos que tais medidas sejam tomadas em caráter de urgência, a população do Recife não merece tamanho desrespeito com um dos seus principais patrimônios artísticos e culturais.

Nos links abaixo, você pode ver outras matérias sobre dilapidação do patrimônio público no Recife.

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Texto: Letícia Lins/ #OxeRecife 
Fotos: Roderick Jordão / La Ursa Tours / Cortesia

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7 comentários

  1. Inconcebível tamanho absurdo!
    Sim, a cidade do Recife não mereceu a generosidade de Francisco Brennand!
    O poder público tem sido omisso à destruição dos marcos históricos, arquitetônicos, ao patrimônio natural, enfim, à destruição da memória cultural da cidade. Quantos acervos e coleções de arte têm sido transferidos para museus e centros culturais de outras cidades, devido ao completo descaso para com a arte e a cultura aqui produzidos? O passado não tem mais importância neste nosso tempo de culto exacerbado ao neoliberalismo. O que interessa aqui é o novo, o artificial, o que pode ser erigido por sobre a identidade histórico-cultural do recifense!

  2. Não existe sequer uma ação q seja dessa gestão, para preservar nada, dentro de Recife!!! Triste ter certos tipos de políticos!!! Qdo acaba-se com o passado, acaba-se também a história do lugar. Espero q se tenha consciência!!!

  3. O pior é que a cidade teve opção, mas escolheu dar continuidade à turma que não está nem aí para o patrimônio público ou para a cultura da cidade. Teremos pelo menos mais quatro anos de sucateamento e abandono.

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