Parque de Esculturas pilhado. Cadê a Serpente que estava aqui? E a Fênix?

Como se não bastasse a perda diária do patrimônio verde do Recife, o patrimônio cultural e artístico está se esvaindo aos poucos. Infelizmente. E o exemplo mais contundente dessa realidade está bem ali, no Marco Zero, um dos locais mais visitados pelos turistas que chegam ao Recife. E que, na maior parte das vezes, fazem travessia de barquinho para ver de perto o Parque de Esculturas de Francisco Brennand. Pois acreditem, o Parque acaba de ser pilhado mais uma vez. Sua famosa e imensa Serpente (foto abaixo) desapareceu. Levaram o pedaço que restava na noite de lua cheia, na última segunda-feira. E furtaram, também, a escultura da Fênix  e os poucos pássaros que ainda estavam no local.

Essa Serpente gigantesca que ficava no Parque de Esculturas foi roubada.  Só sobraram as pedras (foto superior)

Em uma cidade que dedique mais cuidado ao seu patrimônio arquitetônico, histórico, artístico e cultural, o mínimo que se poderia fazer era monitorar o local com câmeras de segurança em tempo real. Mas isso nunca foi feito. Também uma boa iluminação já contribuiria para dar mais um pouco de segurança.  Mas, pior, o Parque está sem luz há um tempão, incluindo a sua famosa Coluna de Cristal, a peça de destaque do conjunto de 90 esculturas, e que possui 32 metros de altura. Tudo no breu. Tanto que foi preciso uma noite de lua, para que os marginais agissem. A denúncia já está nas redes sociais. Foi postada por Roderick Jordão, um dos donos da La Ursa Torus, agência que faz passeios alternativos entre o Recife e Olinda, só usando bikes. E também  utilizando barcos, para a travessia do Marco Zero ao Parque de Esculturas. Olhem o que ele postou nas redes sociais.

“Por falar em @OficinaBrennand, essa serpente que faz parte do Parque de Esculturas, doação de Brennand para o Recife, não está mais lá. A última peça foi furtada nessa segunda (30/11). Voltando de um rolé da lua cheia, por volta das 19h, da Praça do Marco Zero dava para escutar claramente o barulho das batidas metálicas vindas na direção do Parque. Os barqueiros que fazem a travessia falaram que eram criminosos levando o pouco do bronze que ainda restava lá”.

Roderick foi até o trailer da Guarda Municipal, que fica ao lado dos armazéns, para pedir providências contra mais esse atentando contra o patrimônio cultural da cidade. Na pressa, passou a informação sobre o furto.

“Fiz a denúncia. Até vi uma viatura da PM indo em direção ao parque minutos depois. Mas também a vi indo embora. A última peça da serpente que ainda restava foi levada. Não há mais nada da mesma forma. A Fênix que ficava logo no começo do parque também já era. Falta de denúncia não foi.

Ele passou a informação do furto de forma oral, no momento em que as peças eram pilhadas. Não registrou boletim de ocorrência, até por conta da certeza que os marginais seriam flagrados no momento do cime.  Caberá, agora, ao poder público municipal fazer o BO, para que um inquérito seja pelo menos, instaurado. O que está ocorrendo com o Parque das Esculturas de Francisco Brennand não tem justificativa. E cabe ao poder público o cuidado, zelo e manutenção pelo seu patrimônio cultural. Mas se nem iluminação se garante à chamada Torre de Cristal, imaginem ao resto… Como repórter, conversei muitas vezes com o artista Francisco Brennand (1927-2019), inclusive quando a Torre de Cristal original foi censurada pelo então Prefeito, Roberto Magalhães, por parecer um símbolo fálico. Lembro-me da indignação do artista contra a censura. Mas lembro, também, do carinho que ele tinha pelo Parque.

Olhem só as condições do pedestal onde ficava a escultura da Fênix, de Francisco Brennand: vergonha para o Recife.

“Hoje recebi um casal de turistas portugueses. Eles fizeram questão de vir até a Várzea, conhecer a Oficina porque ficaram encantados com o que viram no Parque”. Ele disse, inclusive, que a sugestão de levá-los à Várzea foi do motorista de táxi que os conduziam. Ficou emocionado pelo fato da arte dele ter sensibilizado pessoas tão populares como o taxista. Não sei como Brennand reagiria a mais esse golpe contra sua arte. O #OxeRecife consultou a Emlurb, que é quem responde pela manutenção de parques, praças e áreas públicas do Recife.

“A Emlurb não cuida da segurança do local. O ideal é ver com os órgãos de segurança pública. O Parque de Esculturas, além disso, está com a Secretaria de Turismo”, informou a assessoria de imprensa da Emlurb ao #OxeRecife. Procuramos, então, a Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer do Recife.  A Seturel informou que “não tem poder de polícia”.  Mandou ouvir a Polícia Militar. No ritmo que a coisa vai, daqui a pouco vão levar inteira a Torre de Cristal. E ninguém faz nada não, é? #OxeRecife!

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Texto: Letícia Lins/ #OxeRecife 
Fotos: Roderick Jordão / La Ursa Tours / Cortesia

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