Dia da Consciência Negra: Dicas de Leitura

Que tal aproveitar o isolamento social para colocar a leitura em dia? E uma boa lembrança, neste 20 de novembro – Dia da Consciência Negra –  são livros sobre o tema. Coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Estácio no Rio Grande do Sul, Paulo Sérgio Gonçalves dá algumas sugestões. Foi nessa data que o Brasil perdia, em 1625, um dos primeiros ícones da resistência negra, Zumbi dos Palmares. Em Pernambuco, há um outro líder negro, porém esquecido pelos livros de história, que é muito reverenciado, principalmente entre os juremeiros: Maluguinho.

Por incrível que pareça, tanto tempo depois, o Brasil ainda é palco de manifestações de racismo. Nesta semana, por exemplo, houve dois casos que chocaram a sociedade. O primeiro foram as manifestações veladas de racismo contra a primeira vereadora negra eleita no município de Joinville, em Santa Catarina. Desde que conseguiu conquistar o mandato, a professora Ana Lúcia Martins (PT) passou a receber ameaçadas de morte pela Internet. “A gente mata ela e entra o suplente que é branco”. Ou seja,um recado odiento e racista. Na quinta-feira, tivemos outro caso  terrível. Dessa vez em Porto Alegre, onde João Alberto Siqueira de Freitas (40) foi morto por um segurança de uma grande rede de supermercados (Carrefour). Tudo muito triste. Portanto, nada como lembrar que hoje é  Dia da Consciência Negra, uma data muito necessária.

O Dia da Consciência Negra foi oficializado em 2011. No Brasil, segundo o Ibge,  56,10% pessoas se declaram negras no Brasil. Mas apesar desse grupo representar a maior parte da população brasileira, infelizmente, a história do povo negro e a reflexão sobre a Consciência Negra ainda são pautas para algumas datas do ano. A ampliação desse diálogo nas escolas, no sistema educacional e no debate público é urgente, não apenas no 20 de novembro. Eis algumas sugestões assinaladas pelo professor:

O Genocídio do Negro Brasileiro (Abdias Nascimento) – o autor foi uma das mais destacadas vozes na luta pelos direitos dos negros no Brasil. Natural de Franca, no interior de São Paulo, Abdias (1914-2011), fundo o Teatro Experimental do Negro e teve uma carreira brilhante na academia. Também atuou como ator, poeta, escritor, artista plástico e na política foi Deputado Federal de 1983 a 1987 e Senador da República de 1997 a 1999 pelo PDT.O livro desmascara o mito da Democracia Racial por meio de artigos apresentados num congresso na Nigéria.

Tornar-se negro (Neusa Santos Souza) – a psiquiatra e psicanalista Neusa Santos Souza escreve esta obra sobre a questão racial no Brasil onde nos apresenta um estudo teórico, com relatos de sua vivência, a respeito da vida emocional do negro em nosso país. A obra trata de questões tais como a auto rejeição do negro nos sentimentos de inferioridade e nas convenções de beleza exterior. Uma obra valiosíssima. O outro livro é Dossiê Mulheres Negras: retrato das condições de vida das mulheres negras no Brasil (organizado por Mariana Mazzini Marcondes, Luana Pinheiro, Cristina Queiroz, Ana Carolina Querino e Danielle Valverde) – valiosa obra que traz artigos que tratam da condição de vida da mulher negra em nosso país num projeto idealizado pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). É possível ter acesso à obra na internet de forma gratuita.

A integração do negro na sociedade de classes (Florestan Fernandes) – livro publicado no ano de 1964 pela primeira vez. A obra é a tese de Doutorado de Florestan e é considerada a tese mais famosa já defendida na USP. O livro traz uma abordagem que representa uma virada histórica na imagem que o Brasil apresentava de si próprio, ou seja, aqui Florestan discute a democracia racial como um mito construído através dos tempos. É um marco da Sociologia no Brasil.

Raízes do Brasil (Sergio Buarque de Holanda) – livro publicado no ano de 1936, é uma importante obra para se conhecer o processo de formação da sociedade brasileira. Sergio nos fala sobre o legado colonialista que se mostra como um obstáculo para o estabelecimento da democracia em nosso país. Mito da democracia racial, O – um debate marxista sobre raça, classe… (Wilson Honório da Silva) – livro composto de arquivos que combatem a perspectiva da democracia racial no Brasil que diz que vivemos num país sem racismo. Além desses, quem sugere agora é o #OxeRecife. Publicação imperdível é Escravidão, de Laurentino Gomes, jornalista, historiador e uma pessoa maravilhosa com quem convive na Sucursal Recife da Revista Veja, eu como repórter e ele como Chefe.  Um chefe aliás, só não. Um mestre.

Há, ainda, algumas outras leituras que podem fomentar a discussão  como  a Guerra dos Palmares (Décio Freitas) e Quilombo dos Palmares, (de Edison Carneiro). Nos links abaixo você pode ver alguns links sobre livros ou iniciativas ligadas à cultura negra.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife

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