Mural sobre Restauração Pernambucana precisa de reparos e não de remendos

Nessa época de campanha, o que sobra é promessa. E tem de todo tipo. Mas falta, ainda, proposta consistente – por parte dos candidatos – quando a uma política para o nosso patrimônio cultural. Como se não bastasse a ação de vândalos, a inércia do poder público nesse campo é assustadora. E o fato não parece incomodar quem está na disputa pelo voto. Pois – pelo menos no horário eleitoral gratuito – pouco se fala desse assunto.  É verdade que muitos dos nossos monumentos são tombados pelo Iphan, e estão sob esfera federal. Mas há uma quantidade imensa que é de responsabilidade do poder municipal.

Estão aí as situações de áreas históricas – como os Pátios de São Pedro, do Terço e do Carmo – que não nos deixam mentir. Todos, extremamente degradados. E o Parque das Esculturas, no Porto do Recife, em frente ao Marco Zero, tem exemplo de descaso maior? Principalmente em se tratando de um local de visita obrigatória para os turistas que chegam ao Recife.  Nesta semana, o amigo, leitor e companheiro de caminhadas Emanoel Correia, me envia fotografias de mais uma vítima do descaso dos nossos gestores com a cultura. Dessa vez na Zona Norte do Recife.  É que o Mural da Restauração Pernambucana, de autoria de Corbiniano Lins (1924-2018) –  um dos trabalhos de maior visibilidade do artista – está em petição de miséria.

Localizado no bairro de Santo Amaro, além de sofrer a constante ação de vândalos – inclusive com pichações – encontra-se com rachaduras, azulejos caindo, peças faltando. “O estado do mural é lastimável”, reclama o professor aposentado, e frequentador assíduo de passeios a pé em grupos, como o Caminhadas Domingueiras e o Olha! Recife. “O mural está sujo, pichado, rachado e com peças  faltando”, acrescenta. E reclama do tipo de remendo, aliás, muito comum no Recife. “No lugar dos azulejos que caíram, botaram cimento branco”. Emanoel integra os grupos Bora Preservar e Preservar Pernambuco .

Nas redes sociais dos dois grupos, ele posta textos e fotografias diariamente, falando sempre do nosso patrimônio cultural. Ora enaltecendo a história e a arquitetura, ora falando do desprezo com que é tratado. E tem razão de reclamar.  “Não se respeita mais a memória dos nossos artistas”, diz.”O que a gente vê é situação de abandono até mesmo em pontos turísticos”. Para ele, o problema não reside só no descaso das autoridades. “Mas na ignorância cultural, por parte daqueles que deveriam preservar, em vez de ajudar a destruir”.  Realmente, uma situação bem triste. Estão caindo o sobrado onde nasceu Joaquim Nabuco assim como o casarão onde morou Clarice Lispector. Praças históricas como a Maciel Pinheiro (Boa Vista), a Dezessete e a da Independência (Santo Antônio) estão entregues às baratas. Infelizmente, no Recife é assim….

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Emanoel Correia / Cortesia (Grupos Bora Preservar e Preservar Pernambuco)

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