Desativado há onze anos, Moinho do Recife começa a mudar de cara

Uma das paisagens icônicas da região portuária e que já inspirou até um quadro do artista plástico João Câmara, encontra-se bastante degradada mas está perto de mudar. É que antigo Moinho do Recife vai se transformar em Moinho Recife Business & Life, empreendimento multiuso que prevê investimentos de R$ 80 milhões. Localizada na Rua São Jorge, a antiga indústria foi desativada em 2009.  Tomara que a nova proposta contribua para a revitalizar e movimentar ainda mais o Bairro do Recife, a exemplo do que ocorre em regiões de outras partes do mundo que também sofriam com a degradação. E que o seu entorno ganhe árvores, canteiros,  jardins que possam humanizar toda aquela área que, infelizmente, virou uma selva de cimento.

A proposta é de recuperação total do antigo moinho, uma área de quase 53 mil m², seguindo o conceito retrofit que consiste na modernização de áreas antigas com a preservação de características da construção original. Algumas de suas peças e equipamentos serão reutilizados, como os antigos moinhos que vão se tornar luminárias, enquanto velhos silos poderão virar residências. A primeira etapa do projeto será a construção dos espaços corporativos e do estacionamento e deve ficar pronta no início do segundo semestre de 2022. A iniciativa é da Revitalis, que tem participação do Grupo Moura, Tavares de Melo, Petribu.

Os imóveis, que processavam trigo, devem abrigar espaços corporativos, com serviços associados, Coliving com 112 apartamentos residenciais de 43, 61 e 89 metros quadrados, e um hotel com 84 apartamentos. O Moinho Recife Business & Life contará ainda com mall com até 14 lojas e Rooftop com praça elevada, mirante e telhado verde. Haverá também um estacionamento com 595 vagas rotativas. O antigo moinho será totalmente recuperado, mantendo as características originais do imóvel, que começou a funcionar há 100 anos.  A expectativa é que sejam gerados de 800 a mil empregos diretos e indiretos durante a construção; e 2,4 mil empregos quando o complexo estiver concluído.

O Gerente de Operações da Revitalis, Fabian Bezerra, destaca a multifuncionalidade do empreendimento. “O Moinho Recife é um equipamento urbano inovador que vai fortalecer a revitalização da região, ressignificando uma antiga estrutura fabril. As pessoas aqui vão poder usufruir de espaços de trabalho, de lazer, moradia e de serviços”. Recentemente, o Prefeito Geraldo Júlio (PSB) – que praticamente nada fez pelo Bairro do Recife – esteve no canteiro de obras.Calheiros).

O projeto prevê ainda central de ar condicionado, grupos geradores, reaproveitamento de água, bicicletário, e jardins integrados com as ruas. Ao todo, o complexo multiuso abrigará 52 mil m² distribuídos em seis blocos, ocupando a estrutura física existente do antigo Moinho Recife, contando ainda com hotel e apartamentos residenciais em suas próximas etapas. Toda a concepção do empreendimento passou pelo crivo da Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultura do Recife (DPPC) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) que, entre outras observações, limitaram a altura dos edifícios ao mesmo gabarito dos imóveis do entorno. A exceção foi para os silos, que serão reaproveitados e renascerão como unidades residenciais. O processo de construção tem sido feito minimizando o desperdício de materiais e produtos.

O Moinho Recife Business & Life está na área de abrangência do Porto Digital que conta com incentivos fiscais, cerca de 10.000 colaboradores, em mais de 320 empresas. Na mesma área também estão a Prefeitura do Recife, Terminal Marítimo, C.E.S.A.R, Paço do Frevo, Museu Cais do Sertão, Polícia Federal, Receita Federal, TRT e TRF, além da comunidade do Pilar, onde a empresa já atua com ações de integração social. Vamos aguardar, para ver como fica. A Rua de São Jorge é uma das mais esquecidas do Bairro do Recife. Sofre de aridez, não tem quase arborização, como era comum na área portuária. Torcemos para que o projeto realmente contribua para revitalização de toda região do Recife Antigo, onde começou a ser implantado, também, o Projeto Novo Porto, que destino a velhos armazéns desativados.  Alguns destaques: Terminal Marítimo de Passageiros (armazéns 7 e 8); Cais do Sertão (Armazém 10), Centro de Artesanato de Pernambuco (Armazém 11). Há armazéns ocupados por bares e restaurantes, porém o Hotel Marina e o Centro de Convenções, previstos para os armazéns 15, 16 e 17 ainda não são realidade.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Andréa Rego Barros / Divulgação/ PCR

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