Hospital provisório desativado sob investigação da Polícia Federal

A Polícia Federal amanheceu nas ruas nessa quarta-feira (16/9) para cumprir 21 mandados de busca e apreensão no Recife, por supostas irregularidades praticadas em contratações para o Hospital Provisório Recife 3, destinado a receber pacientes com Covid-19.  O HPR3 fica no bairro da Imbiribeira, foi desativado pela Prefeitura e está sob suspeita no que diz respeito à aplicação de R$ 34.028.654, 07 que foram enviados pelo Ministério da Saúde para combate à pandemia.  Na Operação , chamada de Desumano pela PF,  um empresário foi preso e três dos seus automóveis de luxo foram apreendidos. Também foi autorizado quebra de sigilo bancário e fiscal de 27 pessoas investigadas.

A operação foi autorizada pela Justiça Federal, por solicitação do Ministério Público Federal em Pernambuco, que aponta indícios de irregularidades “relacionadas às despesas de recursos públicos federais repassados para o enfrentamento da pandemia da Covid-19”.  No Recife, o principal alvo da investigação é  o Instituto Humanize de Assistência e Responsabilidade Social, contratado pela PCR para gerir o Hospital Provisório Recife 3, que foi implantado para receber pacientes infectados pelo coronavírus. Para o MPF , os contratos “evidenciam indícios de fraudes, direcionamento na escolha de entidade, ocorrência de subcontratações e até utilização de empresas fantasmas para acesso a verbas públicas”.

Nesta semana, o HPR3  comemorou a alta do seu último paciente e foi fechado.   Várias outras organizações sociais que atuaram na pandemia vêm sendo investigadas, não só no Recife como em outras cidades brasileiras. Os envolvidos podem responder por peculato, desvio de dinheiro público, organização criminosa, dispensa de licitação entre outros crimes.  “A Prefeitura do Recife informa que todas as contratações relativas à emergência da pandemia de covid-19 ocorreram dentro da legalidade”, assegura a PCR, em nota distribuída na manhã de hoje. “O Instituto Humanize de Assistência e Responsabilidade Social foi a organização  responsável pela gestão do hospital de campanha da Imbiribeira, que ficou aberto durante cinco meses”, complementa a nota. Durante a pandemia, a Prefeitura do Recife foi alvo de outras operações para investigar uso de verbas públicas, tais como a Antídoto, a Apneia e a Casa de Papel.

“O hospital cumpriu sua missão de salvar vidas, entrou em processo de fechamento no início do mês e fechou as portas essa semana. A Prefeitura do Recife esclarece ainda que envia, por iniciativa própria, todos os processos de compras e contratações da pandemia para os órgãos de controle. Esse contrato, por exemplo, foi enviado ao Tribunal de Contas do Estado em abril. A Operação também foi executada no município de Jaboatão dos Guararapes, que é vizinho ao Recife.  No total, a operação mobilizou 80 policiais federais e oito auditores da Controladoria da União. Também foram realizadas buscas no município de Jaboatão dos Guararapes, vizinho ao Recife, e onde teriam havido, desvios, também, em parte dos R$ 23.740.308,84 enviados pelo governo federal. A Prefeitura de Jaboatão ainda não se manifestou sobre a Operação.

Boletim divulgado hoje pela Secretaria Estadual de Saúde acusa 699 novos casos da Covid-19 nas últimas 24 horas em Pernambuco. Agora, o número de pessoas infectadas chega a 138.568 no estado. Também foram confirmados 19 óbitos em laboratório. Com isso, o número de vidas perdidas na pandemia chega a 7.933. E 120.068 pacientes estão recuperados da doença.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: PCR / Acervo #OxeRecife

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