Parem de derrubar árvores (259)

Por ser um jardim histórico e ter a assinatura em seu projeto de ninguém menos que Roberto Burle Marx – um dos maiores paisagistas do mundo – a Praça Pinto Damaso, mais conhecida como Praça da Várzea, jamais poderia ter sido relegada ao abandono por tanto tempo.

Também não deveria ter sido descaracterizada com construções modernas, que nada têm a ver com o seu projeto original. Assim como deveria ter sido cuidado todo o seu entorno, onde restam velhos chalés e casarões em ruínas, como o a belíssima edificação do Hospital Magitot, hoje tomada pelo matagal.

Projetada por Roberto Burle Marx, Praça da Várzea está em reparos mas tem vítima de arboricídio.

Em agosto, a Prefeitura anunciou obras de requalificação na Praça da Várzea. Estive lá no último sábado e realmente havia homens da Emlurb trabalhando. Mas havia,também, mais uma prova da falta de cuidado com o verde da cidade. É que, em plena praça, jaz a cadáver de uma árvore. A degola não é recente, a julgar pela cor escurecida do tronco jogado no chão. Já devia, portanto ter sido removido, para o plantio de outra árvore, se possível da mesma espécie, no mesmo lugar.

Ou seja, mais uma prova da equivocada política de arborização da cidade. Mesmo ali, onde o paisagista caprichou na vegetação, fazendo uma “clareira urbana protegida por uma cortina de árvores que reverencia a memória do bairro”, conforme salienta a arquiteta Onilda Gomes Bezerra, em um dos capítulos do livro  Burle Marx e o Recife. Ou seja, mesmo no jardim protegido por lei, acontecem essas coisas. Esperamos que não tenham o mesmo destino as suas palmeiras imperiais, as mangueiras, os fícus, os oitis-da-praia que contribuem para o verde do local.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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