Estação ecológica: plantio de maconha, extermínio de árvores e de tatus. Pode?

Essa turma do tráfico não tem jeito não. Planta maconha em áreas públicas, indígenas e até em locais de preservação ambiental. A Agência Estadual de Meio Ambiente (Cprh) e a Polícia Militar erradicaram plantios da erva na Estação Ecológica Serra da Canoa, que fica no município sertanejo de Floresta, a 439 quilômetros do Recife.

Além de árvores  destruídas em bioma tão importante como o da caatinga – que é único no mundo – foram encontradas carcaças de tatu-peba, animal  que pode ter sido capturado para servir de alimento aos infratores. Durante longos anos, o tatu-peba foi alvo de caça na caatinga, já que sua carne era tradicionalmente consumida no Sertão. No século passado, chegava a ser oferecido até como petisco em bares de beira de estrada, especializados em animais selvagens.

Localizada no Serão do São Francisco, Floresta fica no chamado Polígono da Maconha: plantio em estação ecológica.

 

Em minhas andanças de repórter, lembro-me de ter visto, certa vez, um bar em Paulo Afonso (também na Região do São Francisco, porém na Bahia), onde a carne do tatu e de outras caças (como  veado, jacaré, arribaçã)  constavam no cardápio. Felizmente quem fizer isso hoje com a fauna silvestre parar na cadeia. A caça de animais silvestres é proibida e configura crime ambiental. Em Floresta, havia plantios  da Cannabis Sativa no interior e no entorno da Esec. Para a implantação do cultivo, os infratores  desmataram uma área com importantes árvores do bioma Caatinga, como marmeleiro,  imburana,  aroeira, jurema e umbuzeiro.  O umbuzeiro é tido como o refrigério do Sertão, pois suporta a seca e suas sombras aliviam o calor provocado pelo sol causticante da caatinga.

O chefe do Setor de Administração de Unidades de Conservação  da Cprh, Cosme de Castro Júnior, informou que havia na área centenas de covas de plantio, galhos e troncos ressecados da espécie Cannabis, além de embalagens plásticas utilizadas na produção das mudas.  Na estrutura improvisada utilizada para abrigar os funcionários do plantio, foram encontradas carcaças de tatu-peba, animal silvestre comum na região de Caatinga. Não foram encontrados suspeitos no local. A área receberá reforço no monitoramento, tanto pela Polícia Militar, quanto pela CPRH. A Operação teve apoio do Batalhão Especializado de Policiamento do Interior (Bepi), que pertence à PM.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Cprh / Divulgação

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