Comitê gestor para jardins históricos deixados pelo paisagista Burle Marx

Como vocês sabem, o Recife possui quinze espaços verdes com a assinatura de Roberto Burle Marx, que foram transformados em jardins históricos. Destes, seis estão tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). E portanto, necessitam de cuidados especiais, precisam ser preservados e sobretudo ter respeitado os traçados elaborados por aquele que é considerado um dos maiores paisagistas do mundo.

Os jardins tombados pelo Iphan são as  praças Farias Neves (Dois Irmãos), Antônio Salgado Filho (Imbiribeira, em frente ao Aeroporto dos Guararapes), República  e os canteiros do Palácio do Campo das Princesas (em Santo Antônio), Casa Forte (no bairro do mesmo nome), Euclides da Cunha (Madalena). Casa Forte inclusive tem uma particularidade: foi o primeiro projeto de área pública verde de Burle Marx. Cada uma dessas praças contará com um comitê gestor que irá definir usos e garantir a preservação desses patrimônios ambientais e arquitetônicos do Recife.  Cada comitê terá representantes da Prefeitura, Governo de Pernambuco, universidades, Iphan e sociedade civil. Assim, pelo menos, impede-se o poder público de fazer besteira, como permitir a descaracterização tão comum nos grandes centros urbanos.

Praça de Casa Forte tem muita importância histórica, pois é o primeiro projeto paisagístico de jardimpúblico de burle Marx.

O primeiro dos espaços públicos a ganhar o comitê próprio foi a Praça Faria Neves, em Dois Irmãos , através de decreto publicado no Diário Oficial do Recife da terça-feira. Em agosto de 2018, a capital pernambucana foi a  primeira do Brasil a elaborar um Plano de Gestão para esses espaços e, até o final do ano, as seis praças tombadas terão planos de manejo com o detalhamento das regras de preservação. O que aconteceu, justiça seja feita, por pressão de estudos realizados pelo Departamento de Paisagismo da Ufpe, responsável pela pesquisa e documentação que resultou no reconhecimento de jardins históricos e posterior tombamento de seis deles, agora considerados equipamentos urbanos essenciais. Aliás, não sei como estariam esses patrimônios verdes se não fosse o esforço da Ufpe, pois o cuidado que a Prefeitura dispensa às áreas verdes do Recife não chega a ser um primor. Pelo menos os jardins históricos têm direito a tratamento diferenciado. Já é alguma coisa, uma garantia.

Como cada praça tem um bioma distinto, cada qual terá seu plano de gestão. Aprovado o plano, ele segue para a aprovação da Prefeitura e, em seguida, para execução pela Autarquia de Limpeza Urbana e Manutenção (órgão responsável pela manutenção de árvores e praças). “A ideia é que, até o final do ano, essas seis praças tenham conselhos de acordo com suas especificidades”, diz Janaina Granja, coordenadora do Comitê Burle Marx e gerente geral de Articulação e Relacionamento do gabinete do vice-prefeito, Luciano Siqueira (PC do B). Em 2009, quando vereador, Siqueira foi o autor de projeto de lei que deu origem à criação da Semana Burle Marx, período em que se reverencia o paisagista, com seminários, passeios guiados e outras iniciativas relacionadas com sua obra, que sempre acontece em agosto. Em 2020, a edição foi virtual, devido à pandemia.

Praça Euclides da Cunha, na Madalena, ainda vai ter que esperar mais pelo Conselho Gestor: Sertão urbano.

O objetivo deste Plano de Gestão, é formular uma estratégia e pactuar um modelo de gestão a ser adotado no cotidiano das ações públicas e da sociedade no gerenciamento dos Jardins Históricos de Burle Marx no Recife, respeitando as orientações estabelecidas nas Cartas Patrimoniais de Florença (1981) e de Juiz de Fora (2010), em que se determina que a salvaguarda dos jardins históricos exige que os mesmos sejam identificados e inventariados, impondo-se intervenções diversas, de manutenção, de conservação e de recuperação. Em 2019, o Plano de Gestão dos Jardins Burle Marx do Recife foi reconhecido com  Prêmio Vasconcelos Sobrinho concedido pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), na categoria Destaque Municipal (na ocasião, o #OxeRecife também foi premiado, pela sua luta em defesa do verde do Recife e da natureza, em geral).

O comitê gestor da Farias Neves é formado assim:   Pela prefeitura, Diomari Veiga Diniz, arquiteta (Titular) e Yasodhara Silva Lacerda, analista de desenvolvimento ambiental (Suplente), ambas da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade; Elida Dias Santos (Titular) e Ana Cláudia Lima de Albuquerque Lapa(Suplente, da Emlurb); Fernando Mário S. Resende Filho (Titular) e José Marques Santos Alves (suplente), da Secretaria do Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo;  Mary Anne Siqueira Leite (Titular) e Márcio de Oliveira Buanafina (Suplente), da Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano. Pelo governo de Pernambuco, Paula Costa Rego Falbo (titular) e Carla Maria Wanderley Tamos, da e  Meio  Ambiente  e  Sustentabilidade  do  Estado  de  PE; José Vital Duarte Júnior (titular), do Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe);  Enilza Maranhão dos Santos e Jozélia Maria de Souza (suplente),  da Universidade Federal Rural de Pernambuco;  Albenice Holanda, da Escola Municipal Sociólogo Gilberto Freyre;  Edmilson Luiz de França, Quitéria Ferreira da Silva, Maria do Socorro Correia de Castro, Marco Antônio dos Santos (comerciantes);  Vaneide Ventura de Oliveira: moradora.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Internet/ Carlos Oliveira e Inaldo Lima / PCR 

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