Quiosques de Boa Viagem tiveram 25 arrombamentos na pandemia

Depois do coice, a queda. Além dos quatro meses sem funcionar, os quiosques de Boa Viagem amargaram outro problema durante a pandemia, período em que 36 por cento deles foram arrombados. É o que informa a Presidente da Associação de Barraqueiros de Coco do Recife, Josi Miranda. Ao todo, são 69 quiosques no trecho que se estende de Boa Viagem até Brasília Teimosa, a área mais  popular da orla da Zona Sul.

“O problema de segurança não é de hoje, mas se agravou na pandemia, com o registro de mais de 25 arrombamentos”, diz ela, lembrando que houve aqueles que também sofreram atos de vandalismo. “A insegurança não é decorrente só do período de isolamento social, pois temos exemplos como a da barraca 31, que já sofreu nada mais de 40 investidas”, comenta Tomé Ferreira de Lima, o Zezinho do Coco, 71, há 52 negociando no calçadão, e que já viveu tempos melhores naquele que é um dos principais cartões postais do Recife.

Boa Viagem: limpeza na areia devido ao pouco público, e vandalismo e arrombamentos nos quiosques do calçadão.

“Não entendo como com tanta tecnologia, não se impede a onda de assaltos”, reclama ele. “Infelizmente, isso é Brasil, tem gente roubando em todo canto, na praia,  até no Congresso Nacional”, reclama. “Estamos tentando um novo recomeço”, diz Josi. Como se não bastassem os arrombamentos, muitos dos quiosques também ficaram deteriorados na pandemia. A conservação, se não era boa, ficou ainda pior. Há uns com lonas rasgadas, outros sem portas, sem janelas. Os quiosques pertencem à Prefeitura, e os vendedores são permissionários. “Os atuais podem até ser bonitinhos, mas são ordinários”, queixa-se Zezinho.

Inquietos com a situação cada vez pior, os barraqueiros resolveram apresentar projeto com novo modelo de quiosque (mais resistente) à Prefeitura, que alega não ter verba no momento para as reformas. Os permissionários sugerem parceria com a iniciativa privada, para que esta banque a reforma, em troca de publicidade nos quiosques. A proposta está em análise na Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano (Semoc). Segundo Josi, ainda não há nenhum acordo fechado com o empresariado. “Tem muita gente procurando a ABCR, mas até agora tudo é só conversa, nenhum acordo fechado”, diz. Ela acredita, no entanto, que após a aprovação da proposta na PCR, a coisa muda. Nós, do #OxeRecife, esperamos que os novos quiosques sejam mais bonitos, mais resistentes e que não tenham as quinas pontudas dos atuais, que até provocaram acidentes em pedestres do calçadão. Mas esperamos, também, todo cuidado na publicidade para que a orla não vire um festival de poluição visual.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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