Fechado, Cais do Sertão movimenta programação virtual: Luiz Gonzaga

O #OxeRecife sempre dá dicas de  diversão, principalmente as gratuitas: passeios  pela cidade, como os do Olha! Recife e as nossas queridas Caminhadas Domingueiras. Também costuma mostrar outras opções como de trilhas, concertos em ambientes fechados (que saudade de Música no Palácio), e eventos ao ar livre.  Mas com a pandemia, a movimentação  está quase toda virtual. Coisas da vida. Fechado por conta do isolamento social, o Centro Cultural  Cais do Sertão não está parado. Nem cercado de mato e lixo, como  ocorre com Museu do Estado, no bairro das Graças. Depois do sucesso das lives que discutiram o cangaço, o museu dá início a uma nova programação virtual, dentro do Papo de Museu. Dessa vez enfocando o Rei do Baião, Luiz Gonzaga.

No domingo (2/7), quando se completaram 31 anos sem a presença física do músico, o Cais do Sertão exaltou o seu legado social e cultural, com atividades online, para todos os públicos. Ao longo da semana, bate-papos, entrevistas e playlists serão dedicadas ao Rei. A programação pode ser acompanhada no Instagram @caisdosertao. Na terça (4), às 17h, os internautas conferem bate-papo com Paulo Wanderley, consultor de investimentos do Banco do Brasil e pesquisador da vida e obra de Gonzaga. Sob o tema O menino que filmou a despedida de Luiz Gonzaga, a conversa será mediada por Maria Rosa Maia, gestora do Cais, e terá como foco o dia da despedida do artista em Exu, Pernambuco. Já entrevistei Paulo uma vez e fiquei impressionada com o seu conhecimento sobre Gonzaga. Se duvidar, sabe até quantos suspiros deu o Rei.

Cais do Sertão é um museu tão querido pela população do Recife, quanto o Paço do Frevo: gestões modernas

Na quinta-feira (6), a partir das 17h, o Conexão Cais recebe o jornalista José Mário Austregésilo, que também é escritor, doutor em Serviço Social pela UFPE e diretor de rádio, TV e cinema. Mediada por Sandro Santo, educador do museu, a conversa tem como foco analisar a linguagem popular presente nas canções de Gonzaga e os símbolos que norteiam até hoje a cultura nordestina. Luiz Gonzaga: o homem, sua terra, sua luta, livro de Autregésilo, também é tema do encontro online, que esmiúça ainda a inserção de ritmos nordestinos à música popular brasileira.

Além das rodas de conversa, não vai faltar boa música pernambucana, pois o perfil do Spotify do Cais do Sertão está recheado de playlists temáticas. Em memória ao Rei, estão disponíveis para audição as seleções O Sertão cantado por Luiz Gonzaga, com mais de 40 clássicos, entre eles A Morte do Vaqueiro, Numa Sala de Reboco e Asa Branca. Diogo do Monte, músico-educador do museu, seleciona sequência de canções do xaxado, interpretadas pela rainha do ritmo, Marinês. É muito interessante que museus, como o Cais do Sertão (que pertence ao Estado) e o Paço do Frevo (sob responsabilidade da Prefeitura) – ambas no Bairro do Recife –  não deixem os pernambucanos privados da programação cultural, devido à pandemia.  Até porque os canais de Tv por assinatura estão enchendo o saco com excesso de filmes do tipo Velozes e Furiosos.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Cais do Sertão / Divulgação

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