Parem de derrubar árvores (baobá degolado em Paquetá)

Dessa vez, não foi no Recife não. Foi no Rio de Janeiro. Mas precisamente na Ilha de Paquetá, onde a vítima da motosserra insana foi um baobá. Ninguém sabe quem foi o autor do “arboricídio”, mas só pode ter  sido uma alma sebosa, daquelas que têm horror à natureza. Gente sem amor. Um crime duplo : primeiro, contra um ser vivo. Segundo, contra um baobá, árvore sagrada, cheia de significados e que tem o poder de agregar as pessoas em sua volta.

Conhecido por João Gordo, o baobá era o “xodó” dos moradores daquela ilha, famosa desde o século 19, quando virou cenário do romance A Moreninha, de Joaquim Manuel de  Macedo (1820-1882). O livro, como se sabe, deu início ao romantismo, na Literatura Brasileira. Nada romântico, no entanto, é o ato de vandalismo praticado contra o baobá. Quem o fez, além de assassinar a árvore, não teve o menor respeito pela dedicação e amor que os moradores da ilha lhe dedicaram.  Ou seja, o  atentado não foi só contra a contra a árvore, mas também contra a coletividade. João Gordo foi plantado com festa em 2013. Desde então, seu crescimento era compartilhado e comemorado nas redes sociais.

Alma sebosa  impediu que o “João Gordo”  de Paquetá, ganhasse a imponência dessa árvore no Jardim do Baobá, Recife.

A Polícia já foi notificada do crime, e vem solicitando imagens das câmeras de segurança de residências próximas, para descobrir quem foi a alma sebosa que degolou  a árvore, tida como sagrada e mágica, além de sua espécie ser considerada o maior colosso vegetal do mundo.  Estou com Márcia Kevorkian, uma das pessoas que cuidou do filhote durante um bom tempo. “Embora tenha sido cortada, a alma da árvore é eterna”, disse, no Facebook. No Recife, um baobá morreu, no Campo Santo, vítima de excesso de urina nas suas raízes. Ou seja, uma árvore que dura de 3 mil a 6 mil anos, morreu por maldade dos moradores do bairro de Santo Amaro, região central da cidade. Não resistiu ao vandalismo, à maldade humana.  Mas  a árvore deixou  aqui sua alma, e outra foi plantada no seu lugar.

Para Fernando Batista – o maior semeador de baobás do Brasil – se o tronco ficar lá, em Paquetá, provavelmente a árvore vai brotar de novo. O baobá é forte. E esperamos que sobreviva, com toda a resistência que lhe é peculiar. “Quem pensa com amor, vive com amor, jamais terá capacidade de entender a razão que passa pela cabeça de alguém de interromper uma vida, matar uma árvore”, lamenta Márcia, que integrou o coletivo Plantar Paquetá. Explicação, Márcia, há apenas uma para quem fez isso. É autor do crime só pode ser uma alma sebosa mesmo! E desse tipo de gente, infelizmente, o Brasil está cheio! Na minha cidade, as degolas são tantas, que obrigaram o #OxeRecife a desencadear a campanha #ParemDeDerrubarÁrvores.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Internet  e Letícia Lins / Acervo #OxeRecife

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Um comentário

  1. Que horror! Verdade amiga: quem pensa com amor e vive com amor, jamais praticará tal ato.
    Quem entende que fazemos parte do todo, e tem consciência que ao derrubar uma árvore, não afeta somente ao ambiente mas ao todo, inclusive a nos mesmo. Não é atoa que estamos nessa situação. Vírus por todo o planeta.

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