Museu do Estado com mato e lixo

Sinceramente, não é por causa da pandemia que nossos bens culturais devem ser relegados a segundo plano. Um dos patrimônios de Pernambuco, o Museu do Estado está entregue às baratas. Tem lixo acumulado nos portões, no pátio interno e o matagal está crescendo nos seus jardins. Daqui a um tempinho, ninguém nem mais verá os canhões históricos que se encontram expostos ao lado do imponente casarão do século 19, onde a instituição funciona desde 1940.

A situação é tão crítica, que as reclamações já começaram a aparecer nas redes sociais. Sou fã do Museu do Estado, que frequento desde criança. Antes da pandemia, até fui lá com três dos meus netos. Passamos uma tarde inteira, observando as  peças expostas, eu transmitindo a eles um pouco do que sei. Até dispensei os guias… Nesta semana, fiz uma caminhada solitária. E fiz questão de passar lá, para checar se as denúncias tinham fundamento. Têm.  A impressão é de abandono. Os portões estavam fechados , pois como todas as instituições culturais de Pernambuco, ele também está sem funcionar até segunda ordem. Mas não é por isso que deve estar cheio de lixo. Uma vergonha… Quem passa, vê.

 

Nas entradas, inclusive na lateral – que dá acesso ao estacionamento – o que se observava, era muito lixo acumulado pelo chão. Será que a pandemia justifica o abandono e a sujeira? Algumas das plantas dos jardins internos estão sendo cobertas pelo matagal.  Sem trato, as palmeiras estão morrendo à míngua, com as folhas totalmente secas. Fiquei triste e preocupada. Se do lado de fora está assim, como se encontra o acervo lá dentro, que precisa de atenção redobrada?  Será que estão cuidando dele? Ou fecharam tudo e deixaram o acervo abandonado, a exemplo do que ocorre na parte externa? Do jeito que os bens culturais são tratados aqui em Pernambuco, sinceramente… Dá até para se preocupar.

Como vocês sabem, o Museu do Estado tem um acervo precioso, com mais de 14 mil peças, entre telas de artistas famosos, arte sacra, porcelanas, cristais, ex-votos, mobília colonial, peças indígenas. O prédio é um palacete do século 19, que pertenceu à família do Barão de Beberibe, próspero comerciante da época.  Procurei a Fundarpe para obter explicação sobre o aparente abandono do Museu do Estado na pandemia. Perguntei porque ele está aparentemente tão entregue. Indaguei, também,  como o acervo vem sendo tratado, durante a pandemia. Mas até 18h da última sexta-feira (dia em que estive lá) não havia chegado nenhuma resposta. O #OxeRecife continua aguardando, pelo menos, por uma boa notícia. Enquanto isso, o número 960 da Avenida Rui Barbosa, no Bairro das Graças, permanece como está: cercado pelo lixo, com o matagal comendo tudo. Pode, um negócio desse?

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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