Abandonada na pandemia, Boa Viagem corre atrás do tempo perdido

Sem ambulantes e com público menor do que o habitual, a praia de Boa Viagem está com a areia limpa, fato raro de se ver antes da pandemia, devido a banhistas e barraqueiros mal orientados (ou sebosos mesmo). No entanto, os bancos do calçadão permanecem representando um risco grande para os cidadãos. E a degradação não é por conta do isolamento social não. Antes, a bagaceira já estava grande, inclusive no verão passado:  concreto corroído pela maresia,  ferragens expostas com risco de acidentes e alguns até já ruíram, caindo na areia da praia. Em dezembro de 2019, o #OxeRecife chegou até a chamar a atenção das autoridades para o abandono da orla. Desde então, a situação só piorou. A praia recebe não só turistas mas banhistas de todos os bairros do Recife. É democrática e popular, apesar de ficar na sofisticada Zona Sul. Diversão de graça, para quem quiser.

Quem chega hoje à orla, tem a impressão do total abandono ao qual o principal cartão postal da Zona Sul está relegado. Com a situação já grave, no último 2 de julho, a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) publicou um edital com aviso de licitação, para recuperação dos bancos de concreto da orla. O valor máximo da obra está previsto é R$ 2.776.530, para “substituição de todos os bancos de concreto da orla”, segundo a assessoria de imprensa da Emlurb. Todos? É verdade que há bancos totalmente degradados, principalmente no trecho entre a Rua Ribeiro de Brito e o terminal de Boa Viagem.  Mas no trecho que fica entre o Edifício Califórnia e o Acaiaca, há locais onde não é necessária a substituição. Por que, então, vai ser tudo trocado? Não fica mais barato consertar só o que está quebrado, o que nem seria preciso se a manutenção fosse feita em dia? Infelizmente no Recife é assim, deixa cair, para depois consertar. Manutenção? Alguém sabe o que é isso?

Degradação dos bancos e quiosques da Avenida Boa Viagem pode ser vistos tanto do asfalto e da praia.

Outro ponto triste são os quiosques. Estive na praia no último final de semana, e observei que na área onde há maior concentração de hotéis em Boa Viagem, a situação é triste, ali na altura da Rua Ribeiro de Brito, onde fica o Edifício Holiday que, sinceramente, virou uma ratoeira. Quem sai de algum hotel para passear pelo bairro deve ficar com péssima impressão ao passar por lá, com os tapumes caindo, lixo acumulado e camundongos tomando conta da via. Na orla, ali perto, também há a sensação de abandono. Tirando a areia limpa, o que a gente vê é quiosque com lona rasgada, sem portas, pilhados, poluindo a paisagem do principal cartão postal da Zona Sul do Recife.

Cena observada no verão passado já mostrava a falta de manutenção dos bancos da orla da Zona Sul: tristeza

Agora a Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer da Prefeitura informa que os permissionários dos 63 quiosques do calçadão e barraqueiros da faixa de areia da Orla de Boa Viagem foram convidados para participar de uma capacitação virtual promovida pela Orla Rio – gestora da Orla do Rio de Janeiro, em parceria com a Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer. O curso, que já está disponível pela plataforma GoKursos, é direcionado para os profissionais que atuam no comércio e que precisam se adequar e adaptar ao novo momento em que o mundo está passando por conta da pandemia da covid-19.

Hoje um encontro online foi transmitido pelo Facebook do Visit Recife (https://www.facebook.com/524143058123837/videos/287354195702310/) para explicar aos profissionais a importância desse curso.  Participaram do encontro a secretária de Turismo, Esportes e Lazer do Recife, Ana Paula Vilaça; o secretário de Mobilidade e Controle Urbano do Recife, João Braga; o presidente da Orla Rio, João Marcello Barreto;  o diretor do GoKursos, Eduardo Cavalcanti; e a diretora da Univeritas, Adriana Garcia. O comércio nos quiosques do calçadão da Orla já foi reaberto desde o dia 16 de julho, mas alguns encontram-se em petição de miséria. Os barraqueiros não estão autorizados a trabalhar na faixa de areia, mas receberam um total de mil cestas básicas da Prefeitura do Recife. Seria bom que, no retorno, também fossem capacitados para zelar pela limpeza da praia. Por que não usá-los também como agentes educativos  ambientais junto ao público? Seria uma boa, para manter a praia limpa.  Não custa nada tirar algum tipo de aprendizado do isolamento social provocado pela pandemia.  É só ter cuidado, disciplina, coordenação e foco. Vamos lá?

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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