História: A verdadeira função do óleo de baleia em construções antigas

No último dia 8 de julho publiquei aqui no #OxeRecife uma postagem sobre o uso do óleo de baleia nas construções do período colonial no Brasil. Nele, o turismólogo e historiador Bráulio Moura mostra que, ao contrário do que se fala, a gordura do mamífero não era utilizada na argamassa das edificações daquela época. Ele explica, inclusive, porque surgiu a expressão construída com “óleo de baleia”, quando populares se referiam às casas abastadas nos séculos passados.

Até hoje há guias turísticos que erroneamente relatam a utilização do “óleo de baleia” na edificação de igrejas e sobrados coloniais.  Estudioso de edificações antigas – principalmente dos fortes – o engenheiro e coordenador dos grupos Bora preservar e Preservar Pernambuco, Denaldo Coelho,  reconhece que realmente o óleo de baleia não trazia “nenhum benefício com relação à rigidez das construções, porque não tem essas propriedades”.

Afirma, no entanto, que o produto era muito utilizado como impermeabilizante nas construções antigas. “Podemos dizer que existem vários relatos sobre sua utilização em obras de contato com a água”, diz ele. E acrescenta: “O arquiteto e engenheiro Francisco Farias de Mesquita, responsável pela construção do Forte do Picão já se referia à utilização de um betume, uma mistura de cal e azeite de “peixe” (óleo de baleia) para revestimento das  pedras da muralha”.

Embora saibamos que baleia não é peixe, mas mamífero, há historiadores que acreditam que o “peixe” ao qual Mesquita se referia era o mamífero marinho, cujo óleo era muito utilizado nas lamparinas dos séculos passados, quando ainda não havia a luz elétrica. Segundo Denaldo, o óleo era usado, também, para proteger as edificações do excesso de umidade. Quanto ao Forte do Picão foi erguido no século 17, porém dele só restam ruínas no molhe do Porto do Recife. “Nas obras marítimas antigas, assim como em locais de muita umidade, existe referência da utilização do óleo de baleia, como no próprio molhe do Porto do Recife”, diz Denaldo.

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Texto: Letícia Lins (com Bráulio Moura) / #OxeRecife
Foto: Emanoel Correia / Divulgação/ Bora Preservar / Acervo #OxeRecife

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