Covid-19, supermercados e preços loucos

Em plena pandemia, todo cuidado é pouco. Felizmente, os supermercados vêm seguindo muito bem os protocolos, no que diz respeito a iniciativas para reduzir a possibilidade de contágio da Covid-19. Há medidas que são obrigatórias, mas há, também, aquelas mais criativas. Álcool gel, higienização de equipamentos, máscaras e biombos acrílicos nas lojas viraram práticas comuns. Hoje, no entanto, me deparei com uma iniciativa bem interessante, no Carrefour do bairro da Torre: puxadores de acrílico nos freezers de laticínios permitem ao consumidor abrir as portas sem usar as mãos.

Ao invés de mãos, os consumidores  podem usar os braços,  para pegar margarinas,manteigas, queijos cremosos e iogurtes no Carrefour. Em tempos de pandemia, nada mais oportuno.  Muita gente, aliás – como é o meu caso – já aprendeu a usar os cotovelos, para abrir e fechar torneiras assim como ligar e desligar os interruptores de luz.

O outro cuidado tem que ser ao comprar as mercadorias. Com medo da Covid-19 e de ficar muito tempo na rua correndo risco de contágio, muita gente está fazendo compras de forma apressada. E sem tomar cuidado, com armadilhas que as redes colocam no nosso caminho. Ou melhor, nos nossos bolsos. Olho nos preços! As diferenças de valores entre as redes é impressionante. Na sexta-feira, comprei leite em pó no Carrefour por R$ 19,90, enquanto há lojas que cobram até R$ 34 pelo mesmo produto. No caso, a embalagem de 800 gramas do Leite Ninho. Portanto, economizei R$ 56 na compra de quatro unidades do produto. Mas fiquei besta com o preço do quilo do filé  de tilápia cobrado na mesma loja: 30 por cento mais caro do que o praticado em outros locais. Também há disparidades nos preços de alguns tipos de queijo, inclusive o tipo prato, marca Regina. Tem lugar que o quilo é mais de R$ 70. Em outros, pouco mais de R$ 40. E laranja mimo – que é muito saborosa – custa mais de R$ 7 o quilo em vários supermercados. Já vi até por R$ 8. Mas na Verdefrut Casa Forte, o quilo é inferior a R$ 4. No sábado à tarde estava custando uma pechincha:  R$2, 68. Em compensação o mesmo Leite Ninho de R$ 19,90 do Carrefour estava a R$ 34,69 na Verdfrut.

As diferenças de  preços, no entanto, podem ocorrer em mesmo supermercado. O alerta é do Procon Recife. Nesta semana, o órgão fez fiscalização em unidades do supermercado Minuto Pão de Açúcar, depois de receber várias denúncias. Elas relatam divergências de preço entre as etiquetas das prateleiras e o real valor ao passar no caixa. “As equipes de fiscalização do Procon Recife visitaram dois supermercados da rede reclamada e comprovaram a irregularidade. Um desinfetante que na prateleira custava R$ 5,19, no visor estava registrado como R$ 5,49”, informa o Procon. “E um pão tipo tortilha, que na gôndola tinha o preço de R$ 7,89, na verdade estava custando R$ 8,59”, acusa o órgão. “Um saco de ração para filhotes que apresentava o valor de R$12,59 na prateleira, na verdade custava R$14,99”

O  Procon esclarece, no entanto que no caso de divergência de preços, é garantido pelo Código de Defesa do Consumidor que o cliente deve pagar o menor valor. Mas a maioria paga mais, e nem sabe disso. “O preço na prateleira não bate com o preço no caixa e a pessoa nem percebe”. alerta Ana Paula Jardim, Presidente do órgão. Outra irregularidade encontrada foi que alguns produtos apresentavam no visor de consulta apenas o preço para quem tem cadastro no programa de fidelidade da rede. Por exemplo, uma manteiga tipo Ghi de 250g, aparecia no visor com o preço de R$ 25,99, mas, no caixa, se o cliente não fosse cadastrado, ele pagava R$31,49, segundo alertam fiscais que estiveram na lojas daquela tão famosa rede de supermercados.

“Essa prática induz o consumidor ao erro. Ele acaba decidindo levar mais unidades do produto, achando que está pagando um preço e às vezes nem percebe que o valor era outro”, explica Ana Paula.  Foi lavrado um Auto de Infração e as lojas têm um prazo de 10 dias para se defender. A multa será arbitrada de acordo com o porte da empresa declarado no último balanço.

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Texto:  Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins  e Procon Recife/ Divulgação

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