Animais voltam à natureza na Amazônia. Precisa corda para o peixe-boi?

Estive há dois anos  no Pará,  para passar alguns dias em Santarém, de onde saí para dois passeios inesquecíveis: Alter do Chão e a Floresta Nacional dos Tapajós, a Flona. Alter é um distrito administrativo de Santarém, que vem a ser o mais bonito conjunto de praias fluviais e paisagens deslumbrantes que vi na minha vida, em um só lugar.  Já a Flona espalha-se por quatro municípios próximos  e é uma bela floresta tropical, de cuja trilha saí com muito calor para me refrescar nas águas cristalinas de um igarapé. É lá em Santarém que funciona a Baderna, uma ong que ao contrário do que o nome sugere, tem uma sério objetivo: plantar um milhão de árvores na Amazônia cada vez mais devastada.

A Baderna é a sigla da Brigada de Amigos e Defensores da Ecologia e dos Recursos Naturais da Amazônia, e  sua sede é em Santarém, município localizado a 1.234 quilômetros de Belém. Nesta semana, chegou ao #OxeRecife mais uma informação sobre outra iniciativa ambiental, que me pareceu interessante, e que está sendo executada em Santarém. É o Parque Zoológico da Unama – Zoounama, criado pelo Centro Universitário da Amazônia. O objetivo: acolher e recuperar animais da fauna amazônica, que tenham sido apreendidos em operações realizadas por órgãos ambientais. E, claro, preparar bichos silvestres para a reintrodução à natureza. Nos últimos quatro anos, o  Zoounama reintroduziu 500 animais silvestres à natureza. Muitos dos animais que lá chegam foram vítimas do tráfico.

Muito fofa, essa preguiça vem sendo preparada para voltar à natureza, em local seguro onde sobreviva.

A entidade funciona dentro de um fragmento florestal. E integra uma área de aproximadamente 149 hectares de corredor ecológico cortado pelo principal canal fluvial estreito da cidade, o igarapé do Irurá. O Irurá é um afluente do Rio Tapajós, que abastece  várias comunidades. Atualmente, médicos veterinários e biólogos do zoológico realizam trabalho voltado para a reabilitação de 191 animais entre aves, mamíferos e répteis.  Animais sequelados, seja pelo tráfico, caça predatória ou até mesmo de queimadas, ficam nos recintos adaptados, obedecendo às normas requeridas pelo Ibama. De acordo com a administração do zoológico, em 2019 foram construídos oito novos recintos para onças, jacaré e araras.

Os animais são devidamente preparados para o retorno à natureza. Entre as fotos que me foram enviadas, no entanto, me chamou a atenção a que mostra o transporte de peixes-bois. Já acompanhei reintrodução de peixes- bois (porém marinhos, da espécie Trichechus Manatus). E eles eram transportados em um tanque  cheio d´água, em cima de um caminhão até o local de soltura. Não sei se devido às dificuldades de logística da Região Norte, o transporte da espécie amazônica  (Trichechus inunguis)  exige a amarração com cordas. Pela foto , acredito que sim, pois estão em um barco. Mas, pelo menos, estão sobre colchões e cobertos com panos que provavelmente foram umedecidos para que não sofram queimaduras no couro, que costuma se ferir caso os animais fiquem expostos durante horas ao sol.

Talvez a espécie amazônica não seja tão dócil quanto a marinha, ou seja tão inquieta que precise aquela intervenção, que não nos parece tão simpática. “A reintrodução dos animais assistidos é feita com todos os cuidados necessários”, segundo informa a entidade. “Há todo um estudo prévio junto aos órgãos competentes como Secretaria Municipal e Estadual de Meio Ambiente (Semma/Semas), Instituto Chico Mendes Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama), para identificação das espécies que residem em determinado local, quais os principais predadores e presas”, explica. O objetivo “é liberar o animal no local onde ele tenha maior condições de sobrevivência”. Por esse motivo, geralmente, os locais de soltura são em comunidades de rios que trabalham com a preservação ambiental ou na Floresta Nacional do Tapajós – Flona, localizada município de Belterra, na Rodovia BR-163. A floresta é uma unidade de conservação criada em 1974 pelo Governo Federal, com uma área aproximadamente 527.000 hectares. Ela espalha-se pelos municípios de Belterra, Aveiro, Placas e Rurópolis. E é linda!

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto:  Unama / Divulgação

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