#RecifeEmergênciaClimática (4) e Covid-19 na Festa do Carmo

Considerada uma obra prima do estilo rococó, a Basílica do Carmo está em evidência nesse mês de julho. É que apesar da pandemia, milhares de pessoas devem acorrer ao templo, para reverenciar Nossa Senhora do Carmo, Padroeira do Recife.  Se não fosse o coronavírus, a Santa seria festejada neste mês com procissão, como ocorria há 324 anos pelas ruas da cidade. O cortejo foi suspenso devido à Covid-19,  que já infectou 65.642 pessoas em Pernambuco e matou 5.163 em Pernambuco. Mesmo assim, os fiéis continuam comparecendo ao templo, onde fazem preces e pagam promessas por graças alcançadas.  E pedem saúde, também, claro.

Provavelmente, quem está na Rua Nova faz um atalho pela Rua Camboa do Carmo, para chegar ao complexo religioso, cuja Basílica foi construída entre os séculos 17 e 18 (1687 – 1720). Por ser uma relíquia religiosa e arquitetônica que desperta a atenção de turistas,  era de se esperar que o seu entorno estivesse bem cuidado. Mas não está. A Avenida Dantas Barreto está cada dia mais degradada.  Parece um chiqueiro. Nos dias de maior movimento, até lembra um lixão, o que não é raro de se ver em bairros como o de Santo Antônio, onde fica o templo em questão..

Pouco antes da pandemia, estive em um passeio a pé pela Camboa do Carmo com o Grupo Caminhadas Domingueiras. E fiquei impressionada com os novelos de fios, com a poluição visual nas lojas e sobretudo com a sua aridez. É verdade que  a via, estreita, nunca foi um primor de arborização, nem mesmo no início do século passado, como vocês podem observar na foto ao lado, do acervo da Fundação Joaquim Nabuco. Naquela época, o Recife ainda não tinha se transformado em uma selva de concreto e ninguém nem falava em ilhas de calor. Como vocês podem reparar na foto maior, a via que hoje é só para pedestres até que sofreu reparos. E as pedras portuguesas estão arrumadinhas, sem os famigerados remendos de cimento verificados em outras áreas do centro, que possuem revestimento similar. O problema, no entanto, é aquele que no Recife há de sobra. Falta humanização, falta verde.

Por esse motivo, a Rua Camboa do Carmo é a quarta incluída no inventário das ruas áridas do Recife, na hastag #RecifeEmergênciaClimática, que vem se somar ao esforço do #OxeRecife em defesa de uma cidade mais verde, mais arborizada e que tem como foco a campanha Parem de derrubar árvores, com a hastag #ParemDeDerrubarÁrvores. Alguns leitores provavelmente dirão que a rua não comporta verde, que é estreita. Mas soluções urbanísticas existem para todos os tipos de problemas em qualquer cidade.  Principalmente as que primam pela sustentabilidade. Olhem a foto maior: imaginem essa rua com jarros com plantas, pequenos canteiros floridos, e banquinhos para as pessoas conversarem. Novelos de fiação elétrica e poluição visual das lojas à parte, ela não ficaria muito mais interessante?

Fechem os olhos. E pensem na cena de hoje. E na cena que poderia ser, se nossos gestores e os empresários da área tivessem mais um pouco de sensibilidade e maior amor ao Recife. Lembra nosso guia das Caminhadas Domingueiras, Francisco Cunha,  que no passado onde hoje fica a pequena via passava um braço de maré, motivo que deu origem ao nome Camboa. “O Palácio da Boa Vista (utilizado por Maurício de Nassau, no século 17), era praticamente dentro d´água”, completa ele.E a  paisagem – dizem – era tão bonita, que Nassau costumava ficar no palácio para relaxar, admirando a “boa vista”. Deu no que deu, infelizmente. Vista bonita, ali na Dantas Barreto tão degradada, está cada vez mais difícil. E na Camboa do Carmo, pior ainda… Aridez completa e absoluta! Acorda prá Jesus, meu povo, que a eleição vem aí…

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins e Acervo Fundaj

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