“Árvore do Esquecimento” é lembrada em coletânea musical da “diáspora”

Nada mais oportuno, nesses tempos de #VidasNegrasImportam, movimento mundial contra o racismo e sobretudo contra a violência racial, infelizmente ainda tão presente , em pleno século  21 onde persiste o preconceito, com raízes fincadas em um passado muito triste que todos conhecem. Acaba de ser lançada a coletânea Tropical Diáspora#1, compilação que narra musicalmente o drama dos escravizados que durante três séculos eram subtraídos da Mãe África para as Américas, então exploradas por brancos europeus. Calcula-se que só para o Brasil, tenham vindo mais de 4,8 milhões de pessoas ao longo de 300 anos de prática tão desumana.

“A intenção é usar a música para dar voz aos africanos que sobreviveram aos horrores do colonialismo europeu”, informa a produção da coletânea, que já foi lançada na Europa. Mais precisamente em Paris. Entre os relatos musicais, encontra-se o famoso contorno na Árvore do Esquecimento.  Para os que não lembram (ou não sabem), esta era uma árvore que existia no Benin, no local de embarque dos cativos. Ali, os homens eram obrigados a dar  nove voltas para esquecer suas culturas, suas famílias no momento de embarcar nos navios negreiros. As mulheres tinham que fazer o mesmo ritual, mas em sete voltas. Meu Deus, quanta maldade, a pessoa ser obrigada a esquecer suas  raízes, sua própria identidade. Um horror.

Então, temos mais é que gritar contra isso, porque a violência racial vem exatamente daquelas práticas. A coletânea tem dez faixas, reunindo nove bandas e dezenas de artistas de países como Colômbia, México, Argentina, Porto Rico, Estados Unidos. E Brasil, claro. Afinal, dizem os historiadores que fomos nós  o país das Américas a receber o maior número de escravos.  Os artistas estão juntos na iniciativa para homenagear a ancestralidade e a força de sobrevivência das culturas africana e indígena. Do Brasil, participam grupos da Bahia, São Paulo e Pernambuco. Do nosso estado, marcam presença  Ska Maria Pastora (Olinda) e Abeokuta (Recife).

No Brasil, o lançamento  será através de live no sábado (04/7), que conta com bate-papo e apresentações das duas bandas de Pernambuco, e também da BantuNagoJêje (Bahia) e Höröyá (São Paulo). O lançamento da coletânea é assinado pelo Selo Tropical Diáspora Records,  de Berlim  (Alemanha). A live  será às 16h, com pockets shows, audições e bate-papo com os artistas envolvidos. O lançamento internacional da coletânea aconteceu oficialmente no Indy Label Market, em Paris (França). E agora ganha continuidade através de lives. Haverá bate-papo entre DJ Garrincha e Dr. Sócrates, realizadores da iniciativa, com mediação da cantora e compositora pernambucana Joanah Flor, artista já confirmada no próximo projeto do selo.

A coletânea Tropical Diáspora #1 está disponível em edição limitada, em formatos especiais em vinil e fita cassete. Ou seja, coisa para colecionador. Informa a produção que embora esses formatos estejam quase em extinção no Brasil, na Europa há uma multidão de saudosistas que disputam essas edições “vintage”. Uma verdadeira obra musical para os amantes da música e um testemunho de como os escravizados africanos mantiveram suas culturas e histórias vivas ao longo dos séculos. Há faixas apenas instrumentais, com inspiração nos ritmos que vieram da África.

Confira, abaixo, vídeo do Ska Maria Pastora, de Olinda, que está no Tropical Diáspora#1:

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SERVIÇO:
O quê: Live de lançamento d   o Disco    “Tropical Diáspora #1”
Show e Audição: Ska Maria Pastora, Abeokuta, BantuNagoJejê e Höröyá
Bate-papo: DJ Garrincha e Dr. Sócrates, com mediação de Joanah Flor
Quando: Sábado, 04 de julho de 2020
Horário: A partir das 16h
Onde: No Instagram @tropical_diaspora_records
Realização: Tropical Diáspora Records
Mais informação sobre aquisição e compras do trabalho no link https://www.tropicaldiasporarecords.com/#store
Prêmios: haverá sorteio de dois LPs na Live.

Texto:  Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Diáspora Records/ Divulgação

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