Boa Viagem e “nova normalidade”: limpeza, silêncio e “paz”

Com a abertura das praias na Região Metropolitana – inclusive no Recife – resolvi nesse domingo reiniciar meu velho ritual: aproveitar uma manhã de sol, na praia de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. Por determinação do Plano de Convivência com a Covid-19, a areia está liberada, mas sem comércio, sem cadeiras nem guarda-sóis e sem banho de sol. Ou seja, beia-mar, só mesmo para caminhar. E foi o que fiz.  A praia estava linda, divina. Tive muita vontade de dar um mergulho para matar a saudade do mar, mas não quis cometer um ato de desobediência civil. E não entrei na água. Mas uma pergunta ficou na minha cabeça: o coronavírus boia na água salgada?

Levei duas máscaras faciais, mas só precisei de uma mesmo. Mas Boa Viagem nem parecia aquela muvuca de final de semana. E vivencia uma inacreditável “nova normalidade”, que poderia ser  definida como uma grande paz, se não estivéssemos no meio de uma pandemia. Em todo caso, vejam dez observações dessa frequentadora assídua daquela praia: Primeira: Não tinha um lixo só na areia. Caminhei bastante e a praia estava completamente limpa. Segunda: O maior silêncio, pois não tinha ninguém sentado com som alto nas cadeirinhas, abuso que se tornou comum depois da invenção do bluetooth, pois todo mundo se acha no direito de escolher o “pancadão” no celular e tirar a paciência do banhista vizinho, amplificado o som com seus aparelhinhos. Terceira: Havia, sim, algumas pessoas no mar. A Guarda Municipal passou de moto e não importunou ninguém. Mas quem estava na água guardava distância grande dos demais, um comportamento bem diferente dos dias normais de praia, quando todo mundo fica conversando em grupo. Seja na areia ou na água.

Quarta observação: a volta da canga sobre a areia, para tomar bronze, fato raro antes da pandemia, já que todo mundo se habituar a tomar sol nas cadeirinhas dos barraqueiros. Quinta: Facilidade para estacionar, avenida e transversais totalmente vazias. Um conforto para quem está chegando de carro. Sexta: Quase todo mundo estava mascarado, pelo menos 90 por cento das pessoas que vi. Sétima: Animais na praia, com seus respectivos donos, o que é proibido por lei (até porque dificilmente eles levam os “carimbos” dos totós para casa).

Oitava: A praia vazia é uma delícia, pois tem silêncio, limpeza, conforto, privacidade, paz. Nona: Somos nós – frequentadores e barraqueiros – que a sujamos, infelizmente embora algumas pessoas (como é o meu caso) não se permitam jogar nada na areia. Décima: Bem que a Prefeitura poderia aproveitar o estado atual, a limpeza da praia, para desenvolver uma campanha e acionar todas as ferramentas que permitam Boa Viagem ficar como está: limpa e sem poluição sonora. É só a Emlurb, Semoc, Vigilância Sanitária e Guarda Municipal juntarem as forças: planejar, orientar, fiscalizar e punir os porcalhões de plantão. Não é não? E… abaixo o coronavírus!

Só um lembrete: Boletim diário divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde mostra que  foram computados 995 casos da Covid-19 nas últimas 24 horas em Pernambuco. Com isso, o número de pessoas contaminadas desde o início da pandemia chega a 52.113 no estado, sendo 18.098 casos graves e 34.015 outros leves. Também foram computados 83 óbitos, elevando-se para 4.234 a quantidade de vidas perdidas para o coronavírus.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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