Livro mostra mania pernambucana de grandeza: “O mundo começa no Recife”

Você sabia que o mercado público de São José é o mais antigo do Brasil em funcionamento? Que no Recife fica a Sinagoga mais antiga das Américas? Que está na cidade a única torre de atracação de Zeppelins, ainda de pé no mundo? Que foi no Recife que funcionou o primeiro observatório astronômico das Américas? Que o Diário de Pernambuco era até antes da pandemia o jornal mais antigo em circulação na América Latina? Que foi no estado que morou a primeira mulher a ser senhora de engenho no Brasil, ainda no século 16? Que é no Recife que ficam o colégio público (Ginásio Pernambucano, foto) e o restaurante (Leite) mais antigos do país? Curiosidades como estas constam entre as 101 que nos são apresentadas em O Melhor Livro do Mundo -101 “Manias” de Grandezas de Pernambuco, de Evandro Duarte de Sá. O livro  já está à venda na Internet, e deverá ter festa de lançamento, com a habitual noite de autógrafos, quando baixar a poeira da pandemia. O título pode parecer pretensioso, mas na realidade ironiza a histórica megalomania do pernambucano.

A publicação é de leitura leve. E em tempos de isolamento social, torna-se uma opção divertida para quem tem que ficar em casa. Acredito ser, também, uma boa sugestão para crianças e adolescentes, podendo funcionar  até como livro paradidático, pois aborda muitos aspectos da nossa história, de tantas revoluções, lutas libertárias, pioneirismos, e as folclóricas ou reais manias de grandeza de “Pernambuco falando para o mundo”. Fazendo e acontecendo. São pequenos relatos, em ordem cronológica,  com fatos que vão do século 16 ao 21.

Todas as 101 curiosidade do livro são fundamentadas em pesquisas. O autor, Evandro Duarte de Sá integra grupos que costumam explorar o Recife a pé, ou que têm na cidade um dos principais focos do trabalho. Ele até os cita na apresentação do livro – Caminhadas Domingueiras, Caminhadas Culturais, #OxeRecife, Projeto Olha! Recife – e também  faz parte do Grupo de Estudos do Cangaço de Pernambuco.  Das caminhadas, terminou vindo a inspiração para escrever o livro. Paraibano, filho de um “profeta da seca” (daqueles que estão rareando no Sertão), Evandro tem um currículo extenso: é educador, Doutor em Educação, Mestre em Fisiologia, Especialista na Gestão de Negócios em IES, Bacharel em Administração de Empresas e em Fisioterapia, e licenciado em Psicologia. Também é avaliador do INEP.  A tanta versatilidade, adicionou mais uma: a de escritor. Ele diz que a obra mostra o  nosso”pernambucocentrismo”, que “coloca Pernambuco mais ou menos no centro do Universo”.

Mas, em alguns casos, as “manias de grandezas” são “realmente grandezas”. E não são poucas. Inclusive as históricas. Senão, vejamos algumas delas, que nos remetem à frase clássica de Oliveira Lima, segundo a qual “quem diz história de Pernambuco diz história do Brasil”.   Veja, portanto, algumas curiosidades históricas: Antes de Cabral, o Brasil já fora descoberto por Vicente Yáñez Pinzón, chegando onde? Em Pernambuco,  claro. Posteriormente, seríamos a primeira “capitania hereditária” do Brasil, a que daria mais lucro e a mais rica possessão portuguesa no Brasil. Pernambuco foi sede do primeiro governo do Brasil, teve o primeiro engenho de açúcar das Américas, e foi aqui, também, que Branca Dias, viúva, se tornaria a primeira mulher a assumir o comando de um deles, onde hoje fica o município de Camaragibe. Aliás,  um grande amigo de Branca Dias,  Bento Teixeira,é considerado o autor da primeira epopeia escrita no Brasil.  Nos tempos de Nassau, já no século 17, o Recife teria o primeiro observatório astronômicos das Américas, o primeiro jardim botânico e também o primeiro zoológico do País.

 

Também tivemos a primeira cervejaria das Américas, o primeiro tratado de História Natural, a maior batalha do Brasil.  E… “a Pátria nasceu em Pernambuco”. Também foi daqui que saíram os judeus (daquela primeira Sinagoga), que fundaram Nova York. Tivemos, ainda, o primeiro grito de independência, a primeira “escola de revolucionários”, “a maior revolução do Brasil (1817) e a primeira Constituição do Brasil. Achou pouco?  Era de Pernambuco (São Lourenço da Mata), o Pau-Brasil mais disputado pelos europeus, por ser considerado o melhor de todos que faziam a riqueza dos nossos exploradores. O livro mostra, ainda, porque o Estado é considerado “o Leão do Norte” e a origem do personagem “Leão Coroado”. Diz o autor, também, que  aqui o Hino de Pernambuco é mais tocado do que o Hino Nacional, e que somos o único Estado onde a bandeira é tão incorporada no vestuário: camisetas, cangas, chapéus, vestidos. O nosso hino é executado em  sete ritmos, que vão da forma clássica ao manguebeat, passando pelo maracatu e até pelo frevo.

O livro traz outras curiosidades, bem interessantes que ocorrem em Pernambuco. Algumas delas estão relacionadas na galeria de fotos acima. O Mercado de São José, tombado pelo Iphan, é  o mais antigo do Brasil, sendo o primeiro edifício pré-fabricado em ferro no país. Foi no Recife que funcionou a primeira companhia de trens urbanos da América Latina (tempos dos quais temos a relíquia da Ponte D´Uchoa, no bairro das Graças). No Mosteiro de São Bento, em Olinda, tivemos um dos dois primeiros cursos jurídicos do Brasil, ambos criados por decreto imperial, assinado por Dom Pedro I em 1827. Segundo o livro, fica na Várzea, o maior ateliê de cerâmica da América Latina (a Oficina Francisco Brennand). Em Camaragibe, onde está hoje o chamado casarão de Maria Amazonas, funcionou o engenho que Branca Dias dirigiu. Naquele município, foi implantada a primeira vila operária da América Latina (hoje totalmente descaracterizada). O Diário de Pernambuco, cujo velho prédio encontra-se em franca decadência, era o jornal em circulação mais antigo da América Latina, tendo sido fundado em 1.825. (Com a pandemia, parou de circular e, devido às dificuldades econômicas, ninguém sabe se voltará).  O Ginásio Pernambucano (na foto principal) é o colégio mais antigo do Brasil em atividade, segundo o autor. Foi fundado em 1825, logo após a Confederação do Equador. Bom, são tantas informações que renderiam  três meses e alguns dias de postagens, à razão de uma por dia. Não é a toa, portanto, que o livro está vendendo feito milho na feira, em tempo de São João. Já chegaram pedidos até de leitores europeus, principalmente da Suíça e de Portugal.

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Serviço:
O quê: “O Melhor Livro do Mundo – 101 Manias de Grandezas de Pernambuco”. 
Onde comprar:  No site  https://bit.ly/O-Melhor-Livro-do-Mundo
Ou pelo telefone: (81) 9 82698102
Quanto: R$ 49
Forma de pagamento: no cartão de crédito ou boleto, em até 16 vezes
Preço do frete: grátis

Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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8 comentários

  1. Olá!
    Sugiro uma pequena revisão nos dados de compra.
    Se também pode ser comprado por telefone, então não é SÓ no site que se pode comprar.

  2. Imagina se o maior cajueiro do mundo, se o primeiro marco português se aí tivesse um time de futebol com maior títulos do mundo não fosse do Rio Grande do Norte, Pernambuco seria a nova maravilha do mundo!!!!
    Brincadeira kkkkkkkk
    Abraço aos irmãos pernambucanos.

  3. De uma riqueza histórica e informações surpreendentes. Me sentindo ainda mais besta em ser Pernambucana rs. Parabéns. Muito sucesso.

  4. Que bom ler seu artigo. Me deu saudades dessa nossa terrinha!!
    Participar de Caminhadas Domingueiras, tendo o privilégio de sermos conduzido por Francisco Cunha, Caminhadas Culturais, Olhar Recife etc. etc.

    Um grande abraço Amiga!!

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