Pernambuco: Mata Atlântica sobrevive

Nesta semana, comemorou-se o Dia da Mata Atlântica, com uma notícia triste: a devastação de 14.502 hectares de vegetação nativa, entre os anos de 2018 e 2019, o que não chega a surpreender, diante do desprezo com que a natureza é tratada atualmente no Brasil. Principalmente pelo governo federal, cada vez mais tolerante com madeireiros e grileiros. E isso indica um retrocesso imenso, pois vínhamos de dois anos sucessivos de queda nos desmatamentos no País. Os números, divulgados pelo Atlas de Remanescentes Florestais de Mata Atlântica, trazem, no entanto, um alento para Pernambuco: pelo segundo ano consecutivo, o estado registrou desmatamento técnico zero em áreas remanescentes daquele importante bioma. O Atlas foi realizado através de parceria entre a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de pesquisas Espaciais (Inpe).

As informações foram divulgadas na quarta-feira (27/5), após levantamento técnico e monitoramento nos 17 estados onde ainda constam áreas remanescentes do bioma. Os 17 são: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Piauí, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de janeiro, São Paulo, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Santa Catarina, Sergipe, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. Destes, nove atingiram o mesmo status de preservação. Entre eles, Pernambuco. O Estado tem 86 Unidades de Conservação (UCs), das quais 74 delas  são do bioma Mata Atlântica, segundo o Secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, José Bertolti. E a situação, vamos torcer, pode até melhorar.  “Estamos elaborando um amplo programa de gestão integrada para essas UCs, que contemplam a criação e revisão de planos de manejo, implementação dos corredores ecológicos de biodiversidade e o monitoramento ambiental remoto das UCs”, diz. “A preservação desse Bioma é essencial para garantir o desenvolvimento sustentável para o planeta, principalmente para se estabelecer metas de desenvolvimento pós-pandemia”, afirma.

A Mata Atlântica está preservada no Parque Estadual de Dois Irmãos, onde podem ser feitas trilhas guiadas.

De acordo com o relatório divulgado na quarta-feira, Pernambuco possui um total de 210.836 hectares de remanescentes de Mata Atlântica, o equivalente a 12,5% do total florestal no estado, considerando as áreas naturais como campos de altitude, vegetação de várzea e mangue. O Atlas estabelece como tecnicamente zero, áreas que não foram detectadas pelo satélite, e que possuem uma área menor que três hectares. Além de Pernambuco, os estados de Alagoas, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e São Paulo também tiveram desmatamento zero no ano passado.

Entre as UCs de proteção integral da Mata Atlântica em Pernambuco está a Área de Proteção Ambiental (APA) Aldeia-Beberibe, criada em 2010, com 31.634 hectares. Ela se espalha pelos municípios de Abreu e Lima, Araçoiaba, Camaragibe, Igarassu, Paudalho, Paulista, Recife e São Lourenço da Mata. Na APA, estão presentes cinco outras UCs de Proteção Integral: a Estação Ecológica de Caetés, em Paulista; o Parque Estadual de Dois Irmãos, no Recife; o Refúgio da Vida Silvestre Mata da Usina São José, em Igarassu; o Refúgio da Vida Silvestre Mata do Quizanga, em São Lourenço da Mata. E ainda o Refúgio da Vida Silvestre Mata de Miritiba, inserida na área do Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcante (CIMNC), em Abreu e Lima. A área nesse campo de instrução possui 7.324 ha. de remanescentes florestais que é considerado o maior bloco de florestas ao norte do Rio São Francisco.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Lu Rocha / Semas / PE

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