As riquezas da Mata Atlântica

Se o Brasil já vive um momento difícil, a situação da natureza é pior ainda. O Governo Jair Bolsonaro e o seu Ministro Ricardo Salles não mostram nenhum, mas nenhum apreço mesmo pela natureza. Pelo contrário, todo esforço é para favorecer grileiros,  tolerar desmatamentos e até invadir terras indígenas. Na Mata Atlântica, o Ministério do Meio Ambiente  pouco ou nada tem feito para preservar o bioma que é tido como um dos mais importantes do mundo. E também um dos mais vulneráveis: de sua área original de 1,3 milhões de quilômetros quadrados, restam menos de 29 por cento no Brasil. E se formos falar em bom estado, o índice é menor ainda, não passando de sete por cento, segundo entidades ambientalistas.

Hoje é o Dia da Mata Atlântica, o que foi instituído em decreto datado de 21 de setembro de 1999. A data foi escolhida para assinalar a chamada Carta de São Vicente, escrita  em 27 de maio de 1560 pelo Padre José Anchieta e na qual estão descritas as belezas das florestas tropicais do Brasil, naquele que seria o primeiro documento do gênero sobre o assunto. A Mata Atlântica, no entanto, sofre com o descaso dos governos, com a especulação imobiliária, com a pressão antrópica, com a falta de políticas ambientais consistentes.  São nada menos de 145.000.000 de pessoas que moram na região original de abrangência da Mata Atlântica, bioma que se espalhava pela Costa de 17 estados. E, sinceramente, não há muito o que comemorar. Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, entre 2018 e 2019, o bioma perdeu 14.500 hectares do bioma. E isso não é pouco não, principalmente porque o aumento de destruição da Mata Atlântica não ocorria há dois anos.

A Mata Atlântica possui pelo menos  270 espécies de mamíferos, 370 anfíbios, 250 répteis e 350 peixes.

Para se ter uma ideia da biodiversidade da Mata Atlântica, os cientistas fazem comparações em números. Estima-se em 20.000 a quantidade de espécies vegetais só desse bioma (sem falar na Amazônia, no Cerrado, na Caatinga), o que seria 25 por cento do total das espécies brasileiras. Na América do Norte, por exemplo, calcula-se em 17 mil o número de espécies vegetais. Na Europa, elas totalizam 12,5 mil. Os animais também não são poucos. São 850 espécies de aves, 370 anfíbios, 250 répteis, 270 mamíferos e 350 peixes. Isso sem falar nos invertebrados, nos insetos, nas belas borboletas, por exemplo.

No Brasil, a Mata Atlântica conta com mais de 700 unidades de conservação, entre públicas e particulares: são 131 federais, 443 estaduais, 14 municipais e 124 reservadas de caráter privado, como o Legado das Águas (em São Paulo) ou a Gulandim (em Alagoas). No Recife, a Mata Atlântica pode ser observada no Parque Estadual de Dois Irmãos, mas por conta da pandemia do coronavírus, o Pedi está fechado. Em dias comuns, há até passeios guiados, por trilhas entre as árvores seculares do bioma. A data, no entanto, não passará em branco. Haverá uma live  para assinalar o Dia da Mata Atlântica, em encontro promovido pela Agência Estadual de Meio Ambiente (Cprh). O encontro debaterá a necessidade da preservação de bioma tão importante para nós.  “O que precisamos para preservar a Mata Atlântica?”

A resposta pode estar no debate, realizado por meio de videoconferência, às 14 de hoje. O encontro será mediado pelo gestor da Área de Proteção Ambiental (APA) de Santa Cruz e analista da CPRH, Paulo Roberto Batista. E contará com a participação da doutora em Ecologia, professora Ana Carolina Lins (UFRPE) e Silva e do doutor em Botânica, professor Marccus Alves (UFPE), que abordarão o assunto sobre diferentes perspectivas. A live faz parte do programa Pauta Ambiental, da CPRH, e será realizada às 14h, pelo instagram @cprh.pe

Preservação é sim importante. Estão vendo a borboleta da foto? Durante muitos anos, essa  linda espécie (Prepona deiphile deiphile) foi quase exterminada, pois era criminosamente caçada para decorar bandejas que eram vendidas como souvenirs a turistas, inclusive no Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro.  Lembro-me de pratinhos, bandejas e outros objetos decorativos, nos quais elas eram comprimidas sob um vidro. Um massacre. Praticamente sumiram do mapa. Em São Paulo, a espécie voltou a ser observada no Legado das Águas, maior reserva particular de Mata Atlântica do Brasil. Há meio século essa maravilha da natureza não era observada no Vale da Ribeira. Foi preciso preservar e regenerar a mata, para que ela desse de novo o ar de sua graça.  Linda!

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Legado das Águas /  Votorantim/ Divulgação /Acervo #OxeRecife

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