Parem de derrubar árvores, Brasil! O total assustador de matas devastadas

Haja tristeza. Em 2019, o Brasil perdeu 12.187 quilômetros quadrados de vegetação nativa, uma área oito vezes maior do que o município de São Paulo, a maior metrópole brasileira. A informação, divulgada hoje pelo Observatório do Clima, consta no Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, que foi lançado nessa terça-feira. É a primeira vez que os alertas de desmatamento do território nacional foram analisados e consolidados em um único levantamento.

E os números são devastadores: 1.218.708 hectares destruídos em nossos importantes biomas. Mais de 60 por cento da destruição registrada está a Amazônia, onde nada menos de 770 mil hectares foram devastados. Depois, vêm o Cerrado (408,6 mil hectares), Pantanal (16, 5 mil hectares), Caatinga (12,1 mil hectares) e, por fim, a Mata Atlântica (10, 6 mil hectares). Pois esta – cujo dia se comemora amanhã – praticamente não tem mais o que se destruir. Mas o Observatório do Clima tem outra explicação pouco animadora

“Amazônia e Cerrado são biomas mais bem monitorados, contando com sistemas de acompanhamento contínuos, adaptados para as respectivas regiões. “Como os demais biomas utilizam dados de um sistema global, sem adaptações para condições específicas (tipos de vegetação, sazonalidades do clima e da paisagem, por exemplo) os valores apurados são considerados conservadores”. Ou seja: “Podem estar subdimensionados”, afirma o Observatório do Clima, que usou o MapBiomas, um sistema de validação e refinamento de alertas de desmatamento, degradação e regeneração de vegetação nativa, com imagens de alta resolução, lançado em junho de 2019. A análise começa a partir dos alertas gerados pelos sistemas Deter (Inpe), SAD (Imazon) e Glad (Universidade de Maryland).

Os dados são validados e refinados com o suporte de imagens de satélite de alta resolução (três metros), os quais permitem identificar com grande precisão as áreas desmatadas. “A partir dessa metodologia, foi desenvolvido o primeiro Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, que detalha no tempo e no espaço onde está se desmatando no país. A análise de cada alerta gera um laudo, que pode ser utilizado por todos os órgãos — públicos e privados”, afirma o coordenador do MapBiomas, Tasso Azevedo. Os laudos dos alertas estão disponíveis na internet em: alerta.mapbiomas.org.

Devastação no Brasil é assustadora na Amazônia, mas técnicos acreditam que esteja subdimensionada na Mata Atlântica (fotos)

A metodologia desenvolvida pelo MapBiomas Alerta permite mensurar a velocidade do desmatamento em uma dimensão inédita. Assim, foi possível apontar que a área desmatada mais rapidamente em 2019 fica no município de Jaborandi (BA), com 1.148 hectares, entre 8 e 27 de maio, alcançando uma média de 60 hectares por dia. Em termos de tamanho do desmatamento, a maior área detectada fica em Altamira (PA): em um único evento, foram derrubados 4.551 hectares de floresta amazônica. Os estados com mais eventos foram: Pará (18,5 mil), Acre (9,3 mil), Amazonas (7 mil), Rondônia (5,3 mil) e Mato Grosso (4,7 mil). Em área desmatada, o topo da lista é ocupado por: Pará (299 mil ha), Mato Grosso (202 mil ha) e Amazonas (126 mil ha).

Quando se organiza o ranking por municípios, metade de toda a área desmatada está em 50. Dentre os dez que mais desmataram em 2019, quatro são do Pará, três do Amazonas, um da Bahia, um de Mato Grosso e um de Rondônia. No total, 1.734 municípios tiveram áreas de desmatamento detectadas em 2019. “O relatório indica que o índice de ilegalidade no desmatamento é extremamente alto, a ponto de os desmatamentos legais representarem mais exceção do que regra”, diz Azevedo.  O MapBiomas é iniciativa multi-institucional, que envolve universidades, ONGs e empresas de tecnologia, focada em monitorar as transformações na cobertura e uso da terra no Brasil. Site: mapbiomas.org. Iniciativa que merece aplausos, pois do jeito que a coisa vai, pouco ou nada vai restar das florestas brasileiras.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Acervo #OxeRecife (Fernando Batista e Cprh)

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