Magiluth: Criatividade em meio à pandemia, com teatro virtual e individual

Nessa crise provocada pelo coronavírus, só resta uma alternativa para não naufragar no mar cinzento da pandemia: ser criativo.  E isso, o Grupo Magiluth sabe ser como ninguém. Enquanto todo mundo está abarrotado de tantas lives durante o confinamento social, os seus integrantes arranjaram um jeito de se manter no “palco” e de garantir alguma renda, cobrando ingressos de R$ 20 pela temporada de Tudo que coube numa VHS: Experimento sensorial em confinamento. O espetáculo, no entanto, vai na contramão do que se apregoa nas redes sociais. Ao invés de tentar público de milhares de pessoas – como as habituais lives – o espetáculo virtual é, pasmem, individual!

Pois querem saber?  Os ingressos de maio já foram todos vendidos e o grupo, que pretendia encerrar o Experimento nesse mês, teve que prorrogar a temporada. A plateia virtual individual – chamemos assim –  já tem espectadores nas cinco regiões do Brasil e  em mais de 15 países. Até o momento, mais de 750 pessoas já participaram da apresentação, incluindo residentes em Portugal, França, México, Itália, Estados Unidos, Colômbia e Chile. As sessões acontecem entre 19h e 23h. Deveriam se encerrar em 31 de março, mas serão prorrogadas, devido à demanda.  Agora, quem quiser acompanhar o trabalho do Magiluth, pode fazê-lo até o dia  14 de junho. Tudo divertido e criativo.

Magiluth tem espaço físico na Rua da Glória, mas está na Web com espetáculo virtual que lembra os tempos analógicos: VHS,

Tudo que coube numa VHS: Experimento sensorial em confinamento busca propor estratégias artísticas que respondam à singularidade do período de pandemia e às necessárias restrições que o caracterizam.  A dramaturgia percorre múltiplas plataformas digitais e compõe para cada espectador uma experiência estética particular e individual, na qual também ele opera como agente de construção. Um dos atores entra em contato com o público através de uma ligação e a narrativa é construída a partir de fragmentos enviados por meio de aplicativos como WhatsApp, Instagram, YouTube, Spotify, Deezer e e-mail. Curioso, não é? 

Talvez as pessoas nem lembrem o que é VHS, como eram chamadas as fitas em que eram feitas as gravações do que, na época, se chamava videotape.  Elas funcionavam mais ou menos como as fitas “magnéticas” de gravadores de voz, em uma época em que ainda não existiam os instrumentos digitais. O #OxeRecife faz questão de lembrar, porque deve ter gente muito jovem que nunca ouviu nem falar de VHS, já que uma vez vi uma criança indagar à mãe “o que é isso”, quando ela se referiu a um postal (aqueles cartões de antigamente). A VHS hoje é assim. Virou apenas uma memória.  A proximidade das relações de contato entre atores e público, traço recorrente nos espetáculos do Magiluth, encontra nesta obra formas de transposição que procuram suscitar reações singularizadas, deslocar a dinâmica de conexão com o espectador e estender-se para além do tempo de uma apresentação.

O Maglilut é um dos grupos mais premiados do estado, desenvolvendo trabalho continuado de pesquisa de linguagem na área teatral. O grupo, que completou  15 anos em 2019 é formado Giordano Castro, Bruno Parmera, Erivaldo Oliveira, Márgio Sérgio Cabral, Lucas Torres e Pedro Wagner. A data foi comemorada com mostra de repertório em outubro. O Magiluth inaugurou recentemente o Espaço Cultural Casarão Magiluth, na capital recifense, com mais de mil metros quadrados. O espaço físico fica na Rua da Glória, 465, Boa Vista. Mas está sem funcionar, devido ao isolamento social. O Experimento é encenado a partir da casa de cada ator, devido à pandemia.

E todo mundo tem mesmo é que fizer em casa, para ver se os números da pandemia, pelo menos, param de subir. Em Pernambuco, hoje, foram constatados 1.351 novos casos da Covid-19 e 91 óbitos. Com isso, chega a 23.911 o número de pessoas infectadas no Estado, com o registro de um total de 1.925 óbitos. Então, o jeito é ficar mesmo no mundo virtual. Rua, nem pensar!

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SERVIÇO
O quê: Tudo que coube numa VHS: Experimento sensorial em confinamento

Quando: Terça-feira a domingo, das 17h30 às 23h, pela internet. Até 14 de junho
Quanto: R$ 20 (pagos por transferência bancária)
Informações: www.instagram.com/magiluth, ou pelo telefone (31) 988232510 com Amanda Dias

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Pedro Escobar  e Estúdio Orra/ Divulgação

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