Livre capivara que quase se afogou

Nesse mês em que as capivaras viraram notícia no Grande Recife – depois de ocuparem espaços urbanos vazios, devido à pandemia – uma boa novidade para todos aqueles que amam a natureza. É que quase 20 dias após ser resgatada em Casa Caiada, um animal da espécie acaba de ser libertado. O roedor foi recolhido no dia 16 de abril, quando estava quase se afogando naquela praia, localizada na  vizinha vizinha de Olinda. Capivara “surfista”…

Nessa terça (5/5), ela foi devolvida à natureza, segundo informa a Agência Estadual de Meio Ambiente (Cprh). A operação de soltura ocorreu em área do Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcanti (Cimnc), que fica no município de Araçoiaba, a 51 quilômetros do Recife. O resgate da capivara mobilizou moradores, bombeiros e a Companhia Independente de Policiamento do Meio Ambiente (Cipoma). Habituada aos rios, ela se deu mal ao mergulhar em mar de ondas agitadas.  Mas, finalmente, depois de muito trabalho, o bichinho foi salvo, sendo conduzido para Centro de Triagem de Animais Silvestres de Pernambuco (Cetas Tangara), que pertence à Cprh. Ainda bem.

Em Casa Caiada, Olinda, uma travessura: capivara quase morre afogada no mar, em abril, e hoje voltou à natureza.

“A capivara chegou bastante estressada e com pequenos ferimentos. Nos primeiros dias, ela quase não se alimentou”, conta Yuri Marinho, coordenador do Cetas Tangara, responsável pelo acolhimento e reabilitação do animal. “Mas  está recuperada e pronta para viver em liberdade”, assegura. Uma segunda capivara, que foi capturada no bairro do Curado, no Recife, também foi solta na área. “Os moradores disseram que o animal corria, muito assustado e temia que ele fosse ferido ou mesmo morta”, conta Marinho. “Aí acionaram o Cipoma, que fez o resgate e levou a capivara para o Cetas”. É, tem gente boa nesse mundo…

Na semana passada, capivaras deram o que falar no Recife. Com o isolamento social, sem barulho dos carros e a aparente tranquilidade nas áreas urbanas, esses animais apareceram em vários lugares. E até viralizaram nas redes sociais. Além da trelosa de abril em Olinda – que foi “surfar” nas ondas de Casa Caiada – foram vistas capivaras também no gramado dos jardins do Hospital Esperança, que fica à margem do Rio Capibaribe, na Ilha do Leite, no centro da Capital. Até na normalmente movimentada Avenida Boa Viagem, na orla mais famosa do Recife, foi vista uma capivara, passeando em pleno asfalto. Automóveis, motos, bicicletas, todo mundo parou para a capivara passar. Ela subiu no calçadão – que está interditada ao uso humano devido à pandemia – e prosseguiu, lépida e fagueira, o seu caminho em direção ao Pina.  Não se sabe do seu paradeiro. Como vocês bem lembram, esse simpático bichinho que vem a ser o maior mamífero roedor do mundo, tem tudo a ver com o Recife e sua história. Até porque o rio símbolo da cidade, o Capibaribe, tem seu nome devido ao animal. Afinal, Capibaribe é o mesmo que dizer (em versão tupi) Rio das Capivaras.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Cprh e Cipoma / Acervo #OxeRecife

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2 comentários

  1. Uma coisa boa que já vem acontecendo há algum tempo. O retorno das capivaras, que foram quase extintas na área metropolitana do Recife. O Rio Capibaribe deve seu nome ao roedor gorducho, Capivary – rio das capivaras. Lindo texto, Letícia, adorei a história da “travessura da surfista”. Que venham muitas capivaras, peixes, árvores, pássaros. Natureza é tudo de bom!

    1. Hoje mostrei outros bichos que surgiram durante a pandemia. E aqui em Apipucos vi libélulas inéditas para mim e também a volta de alguns vagalumes.

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