Pandemia e a volta das capivaras

Peço licença aos leitores para falar hoje não de números da pandemia. Mas para mostrar um outro lado da pandemia. Com o isolamento social, as ruas  vazias e o silêncio imposto pelo menor número de veículos no asfalto, a natureza – que coisa linda – já começou a agradecer. Imenso cardume de sardinhas foi visto nesta semana à altura do Cais de Santa Rita, no Centro. Agora, tem outro animal dando o ar da graça: a capivara, mamífero tão abundante nos séculos passados no Recife que até deu origem ao nome do nosso rio mais conhecido. Sim, Rio Capibaribe é a mesma coisa que dizer Rio das Capivaras, no idioma tupi.

Vejam só como nós, humanos, tomamos o lugar dos animais na natureza. Cada vez mais raras no Recife, por conta da nossa selva de concreto,, da destruição de nossas matas e da poluição dos nossos rios, as capivaras passaram a aparecer com frequência maior, nesse período do nosso isolamento social, determinado pela pandemia. Nos dias normais até que davam o ar da graça, mas raramente.  Às vezes eram vistas de madrugada perto da Ilha do Retiro por remadores, também observadas em bairros mais tranquilos, como Apipucos e Poço da Panela. Capivara gosta de morar perto de rios, lagos, açudes. Adora  água.

Capivaras passaram a aparecer com mais frequência no Jardim Secreto, no Poço da Panela: maior roedor.

Uma vez houve barulho  danado no portão de ferro da Cafeteria Emporter, no Poço da Panela, e quando os funcionários abriram estava ela lá, a capivara.  Tinha saído do manguezal, à margem do Capibaribe e foi bater à porta de uma das mais sofisticadas casas daquele bucólico bairro da Zona Norte. Há alguns dias, uma capivara travessa foi resgatada na praia de Casa Caiada, e quase se afogou no mar. Nesta semana, frequentadores do Jardim Secreto, no Poço da Panela – Zona Norte do Recife – registraram o que parece ser um casal comendo grama no terreno que era antes uma área desolada, coberta de lixo e que foi recuperada e transformada em espaço de lazer e convivência pelos próprios moradores. Com o silêncio imposto pela pandemia, as capivaras voltaram a dar lá o ar da graça.

A capivara é tida como o maior roedor do mundo, ocorre em toda a América do Sul, e costuma andar em grupos. E começam a aparecer, também, em locais onde eram vistas raramente. Ou onde nem sequer apareciam.  Há dois dias, foi vista uma na praia de Copacabana. Somente. E nessa quarta, viralizaram nas redes sociais as fotos dos roedores em área para lá de urbana: os jardins do Hospital Esperança, à margem do Rio Capibaribe, na Ilha do Leite, uma dos bairros mais tumultuadas do Recife durante períodos normais.  Internautas dão conta – também nas redes sociais – que roedores da espécie foram vistos, imaginem, no calçadão da Praia de Boa Viagem, um dos bairros mais verticalizados da cidade e com índice pequeno de áreas verdes. A pandemia avança, e preocupa, obrigando as pessoas a recolher-se às suas próprias casas. Mas pelo que se observa, a natureza agradece. E  a italiana e romântica Veneza  (onde as águas dos canais ficaram cristalinas, sem o movimento dos barcos e turistas) e a chamada Veneza brasileira (com a volta das antes raras capivaras) são a prova disso. E viva a vida!

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Internet (Ilha do Leite)  e   Filipe Costa /Jardim Secreto do Poço / Cortesia)

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