E agora, Bozó?

E agora, Bozó? Menos de uma semana depois de ter ido às ruas, se integrar a grupos de apoiadores que defendiam a volta da ditadura militar (com tudo que ela traz de ruim, inclusive a tortura), o Presidente Jair Bolsonaro acaba de perder o seu Ministro da Justiça, Sérgio Moro.  Agora, só falta o Ministro da Economia, Paulo Guedes, pedir o chapéu, para que o capitão fique em um mato sem cachorro.

Na semana passada,  ele chocou o Brasil ao demitir o Ministro da Saúde, Luís Henrique Mandetta, somente porque o titular da pasta estava ganhando visibilidade, por conta do comando do enfrentamento ao coronavírus. Vinha trabalhando com sensatez e, ao que parece, segurança. Mas o Bozó dizia que o Ministro não podia brilhar mais do que ele. E terminou demitindo o auxiliar no meio do furacão provocado pela pandemia e uma maquiavélica crise de ciúme.

Agora, a briga era com o Moro. Tudo porque o Ministro não aceitava a demissão do Diretor  Geral da Polícia Federal, imposta pelo Capitão. A PF investigava fake news que teriam sido disparadas por um dos filhos do Bozó, hoje á frente do chamado Gabinete do Ódio. Venho me debruçando na análise de postagens colocadas nas redes sociais por seguidores do Bozó.

Aos democratas, parecem preocupantes e mostram bem a cara do Gabinete do Ódio. E a que esse povo veio.  Tais como as faixas padronizadas exibidas nas manifestações pró-ditadura da semana passada, as postagens  são padronizadas, mostram programação visual semelhante, chamam o homem de mito, fazem montagens que o mostram como um Rambo e, pior, costumam denegrir as instituições brasileiras: a Justiça, o STF, a Câmara Federal, o Senado. E também os presidentes desses poderes, não raro retratados como porcos.

Como perguntar não ofende, o que será de um país onde o próprio Presidente não respeita as instituições como judiciário e poder legislativo? Há uma campanha, muito bem articulada e muito bem preparada, urdida no Gabinete do ódio para desmoralizar as instituições democráticas do Brasil, assim como seus representantes. E as ferramentas são tão padronizada como os cartazes e faixas que foram às ruas no último final de semana.  Ou seja, todo mundo sabe de onde vêm. Hoje foi mais um dia de panelaço. No Recife, aconteceram em pelo menos dez bairros da Zona Norte, Zona Sul e Zona Oeste. Do jeito que a coisa vai, o barulho das panelas só tende a aumentar.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: PRF / Acervo #OxeRecife

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