Coral danificado por canos para alimentar aquário de lagosta de hotel

Tirar água do mar não é crime. Em muitos lugares do mundo- onde esse recurso natural  é escasso – trata-se de uma forma de matar a sede, através do uso de dessalinizadores, que transformam o líquido salgado em água potável e doce. Israel é um exemplo disso e já chegou a exportar o modelo para mais de 40 países. Em Pernambuco, temos o exemplo do Arquipélago de Fernando de Noronha, localizado a 541 quilômetros do Recife. Agora, captar água do mar, colocando tubulação por cima de recife de coral, área de preservação ambiental, aí é abusar demais.

Foi o que estava ocorrendo no Hotel Serrambi, no Litoral Sul de Pernambuco, onde encanações passavam por cima dos corais, para captar água salgada. O caso aí, no entanto, não dizia respeito a problemas de abastecimento. A água servia para abastecer tanques de lagostas que, vivas, podem ser escolhidas a dedo para deleite gastronômico de turistas. Ambientalistas do Litoral Sul encaminharam a denúncia do abuso aos meios de comunicação. A iniciativa terminou mobilizando a Agência Estadual do Meio Ambiente (Cprh), que enviou uma equipe ao local. Mas diante da repercussão, os canos já haviam sido retirados.

Mesmo assim, o Hotel Serrambi foi intimado pela Cprh para prestar esclarecimentos sobre o uso do cano de PVC, “instalado na praia para captação de água do mar, na unidade de conservação Área de Proteção Ambiental Marinha Recife dos Corais. A Apa foi criada em 2018, e o manejo mostra resultados que beneficiam a natureza e de quem dela vive, como é o caso dos pescadores artesanais, que foram conscientizados a respeitar os recifes que têm tanta importância para os mares quanto as florestas tropicais para a terra.  A Cprh constatou que os canos serviam para abastecer a criação de lagostas do hotel. É incrível o caráter predatório de alguns empreendimentos. Enquanto há hotéis que criam uma espécie de “Arca de Noé” para preservação de corais, há outros que não os poupam de estragos e destruição.

“Nós demos o prazo de oito dias para que seja removido  todo o resíduo  gerado pela instalação e retirada do cano”, disse o analista ambiental da Cprh, Cosme de Castro. O analista  explicou que o hotel também deverá apresentar à Cprh, no prazo de 30 dias, um relatório técnico  com o resultado da remoção, indicando, inclusive,  possíveis danos ambientais provocados. O mesmo prazo foi dado para que a empresa apresente à Cprh um relatório  sobre a manutenção e a operação do tanque de criação das lagostas,  indicando as espécies encontradas, quantidade, alimentação dos organismos, forma de captação e esgotamento da água. “Com os resultados apresentados,  a Cprh poderá tomar outras medidas em relação à infração cometida”, comentou Cosme de Castro.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Cprh/ Divulgação

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